DISPENSA DIVINA NA ECONOMIA DA IGREJA, 2010 | por ROMUALD-JOSEPH-MARIE

Não é raro de escutar, mesmo em nossos meios, da boca de pessoas no entanto eruditas, que seria contrário à constituição da Igreja Deus conferir de modo inteiramente milagroso e fora da hierarquia um sacramento ou uma jurisdição.

Estudaremos, pois, a esse respeito, o ensinamento que a Igreja nos dá através dos Doutores e autores aprovados que ela pôs para nossa instrução. Veremos em seguida o que decorre logicamente daí, e responderemos às objeções mais correntes sobre estes assuntos.

O ensinamento do Doutor Angélico Santo Tomás de Aquino:

Em sua Suma Teológica (IIIa q. 64 a. 7):

“[…]É por essa razão que pertence aos homens dispensar os sacramentos e administrá-los, ao passo que isso não pertence aos Anjos. Sem embargo, importa saber que, assim como Deus não atrelou Seu poder aos sacramentos ao ponto de não poder sem eles produzir o efeito deles, assim também Ele não atrelou Seu poder aos ministros da Igreja de maneira a não poder dar aos Anjos o poder de administrá-los. E, dado que os Anjos bons são mensageiros da verdade, se eles desempenhassem um ministério sacramental, dever-se-ia crer válido o sacramento, pois ficaria assim patente que esse ato se faz por vontade de Deus. É assim que se diz que há templos que foram consagrados pelo ministério dos Anjos. Mas se os demônios, que são espíritos da mentira, desempenhassem um ministério semelhante, não se deveria crer na sua validade.” [1. Excerto de IIIa q. 64 a. 7. A partir da tradução do Pe. Drioux. Ver em Anexo o artigo integral em latim.]

No Comentário às Sentenças (lib. 4 d. 5 q. 2 a. 3 qc. 2 co.):

“O poder de batizar não foi dado aos Anjos bons, por duas razões. Primeiramente, porque eles não têm similitude com os sacramentos e com Cristo, que é o Autor dos sacramentos. Em segundo lugar, porque o poder que lhes teria sido confiado não serviria para nada, pois eles não são facilmente acessíveis aos homens para estes serem batizados por eles. Mas assim como Deus não ligou Seu poder aos sacramentos, assim também Ele não ligou o poder de confeccionar os sacramentos a certos ministros. Aquele que deu esse poder aos homens poderia, portanto, dá-lo também aos Anjos. E o Anjo bom não batizaria senão em virtude do poder que lhe teria sido confiado. Logo, se ele batizar, não será necessário rebatizar, contanto que esteja claro que se trata de um Anjo bom, assim como se julgou que um templo consagrado pelos Anjos não devia ser consagrado pelo homem, tal como se lê na história da dedicação de São Miguel.” [2.Super Sent., lib. 4 d. 5 q. 2 a. 3 qc. 2 co. A partir da tradução de Jacques Ménard ligeiramente remanejada pelo Autor. Ver em Anexo o artigo integral em latim.]

Esse ensinamento é comum entre os teólogos (ver mais abaixo).

A Teologia do Doutor São Roberto Bellarmino, certamente o mais eminente dos Doutores em matéria de hierarquias na Igreja, que, para ilustrar o seu ensinamento, toma o exemplo de Santo Anfilóquio que foi sagrado Bispo por Anjos, testemunho retomado por numerosos autores[3] como Billuart[4].

Bellarmino (Controversiarum: de sacramentis in genere. Liber Primus, Qui est de natura, et causis sacramenti. Caput XXIV):

Prima propositio:“Minister Sacramentorum homo esse debet, non autem Angelus, sive bonus, sive malus.” Haec est adversus Lutherum, et communis apud Theologos.Est tamen observandum, quod si forte Angelus bonus Sacramentum aliquod ministraret, illud habendum esset ratum, quia certum esset id factum esse divina dispensatione extraordinaria. Quocirca refert Nicephorus lib. XI. Cap. 20. S.Amphilochium ab Angelis ordinatum Episcopum; idque ratum habitum ab Episcopis ejus provinciae. At si diabolus idem faceret, iterandum esset Sacramentum, quia diabolus nec habet ex se potestatem, nec peculiari Dei dispensatione acciperet, sed sibi usurparet, aut faleret.”Primeira Proposição:“O Ministro dos sacramentos deve ser um homem, e não um Anjo, não importa se bom ou mau.” Essa proposição é contra Lutero, e comum entre os Teólogos.Contudo, é preciso observar que, se porventura um Anjo bom administrasse algum sacramento, dever-se-ia tê-lo por válido, pois seria certo que esse fato é uma dispensa divina extraordinária. A esse respeito, Nicéforo relata no livro XI, Cap. 20, que Santo Anfilóquio foi ordenado Bispo por Anjos; e que isso foi reconhecido pelos Bispos de sua província. Mas se o diabo fizesse o mesmo, o sacramento deveria ser reiterado, pois o diabo nem tem o poder por si mesmo, nem receberia dispensa especial de Deus, mas o usurparia ou enganaria.”

[3. Ver mais abaixo os nomes marcados com uma ✝ na tabela.]

[4. Billuart (Tomus sextus, articulus II), Qui sit sacramentorum minister?
Dico 1º: De lege ordinario solus homo, non Angelus, est sacramentorum minister.
[…]
Dixi de lege ordinaria, quia de lege extraordinaria et potentia Dei absoluta Angeli possunt esse sacramentorum ministri; sicut enim Deus virtutem suam non sic alligavit sacramentis, quin possit sine sacramentis effectum sacramentorum conferre; ita etiam virtutem suam non sic alligavit Ecclesiae ministris, quin etiam Angelis possit virtutem tribuere ministrandi in sacramentis. Et ita quandoque contigisse testantur variae historiae. Sic, teste Nicephoro, l. 11, c.20, S. Amphilochius ab Angelis consecratus fuit Iconii episcopus, hancque consecrationem ratam habuerunt caeteri episcopi; teste Clemente VIII, in bulla canonizationis S. Agnetis de Monte Politiano, Angelus ei saepe porrexit Eucharistiam; teste Petro de Natalibus, lib. 8, c. 130, et Molano ad 29 Sept., basilica S. Michaelis ab ipso fuit consecrata.]

Elaboramos na página seguinte uma tabela das correntes teológicas, marcamos com uma ✝ os autores que utilizaram o exemplo de Santo Anfilóquio e, para não sobrecarregar, indicamos em Anexo as referências dos autores citados:

Os Anjos são ministros dos sacramentos.Os Anjos não são ministros dos sacramentos, mas, sem embargo, ao administrarem um dos sacramentos, deve-se considerá-lo válido.Os Anjos só podem ministrar a comunhão.
Teólogo de renome–Duns ScotSanto Tomás de Aquino (Doutor)São Roberto Bellarmino ✝ (Doutor)CaietanoSuarezBilluart ✝De Lugo ✝––
TeólogoL’Ami du ClergéAntonio Maria BorangaJuan Martínez de Prado (OP) ✝Martin de Esparza ✝Christóforo DelgadilloJean Lorent Berti ✝Vincent Fernandez ✝Nicolaus Muszka (ESJ)os Beneditinos de Etonnis ✝Ioannis Aegidii TrullenchJacques Marchant ✝Edmond Voit (S.J.)Edmond Simonnet (S.J.) ✝Constantino RoncagliaGaspar Hurtado ✝Maurus Oberascher (OSB) ✝Gabriel a Sancto Vincentio ✝PitigianusVincent Vinial ✝NugnusCabreraSurianus ✝ConinchusSylviusSotoVasquezSayrus ✝Morandus ✝Antonio JosephHurtadus ✝BerthierAntoine (S.J.) ✝Ambroise GuilloisPetrus LedesmaNicolas PawelsSayrusC. L. de LantageValentiaReginaldusPaul Gabriel ✝CandidusBecanus ✝BonanicaReynaudHenriquez ✝HerediaCorazzaDrouin ✝GamacheusPrümmer ✝e outros…Bricout[5]BernalDomenico Viva(François Godefroi)[6]

[5. Esperamos que Bricout não tenha querido eliminar a administração da Santa Eucaristia. Ele parece excluí-la ao falar de lendas quanto ao ministério dos Anjos. Mas de que lendas fala ele exatamente? Não ousamos pensar, por exemplo, que ele coloque em dúvida o ministério do Anjo que administrou a comunhão a Santa Agnes de Monte Policiano, milagre incluído por Clemente VIII na Bula da Canonização (23 de fevereiro de 1601).]

[6. Pusemos esse autor entre parênteses porque ele está disposto a admitir que isso pode acontecer.]

Parece-nos, pois, com Vincent Vinial[7] que há unanimidade[8] moral dos teólogos a esse respeito, concluirei com o Ami du Clergé:

“Não há dúvida de que um sacramento administrado por um Anjo ou um Bem-Aventurado é validamente conferido.”[9]

[7. Tractatus primus de sacramentis in genere, anno 1643, por Vincent Vinial, p. 351.]

[8. Eis a unanimidade moral dos Padres (que aplicar-se-á aos teólogos) explicada pelo Reverendo Padre Goupil em “La Règle de la Foi” [A Regra da Fé]:
“Para haver ‘comum acordo’, não se exige unanimidade absoluta, mas unanimidade moral. Portanto, o desacordo de alguns Padres, o silêncio de vários, nada disso impede o comum consentimento.” (capítulo terceiro, ponto 56)
Notemos também que a história de Santo Anfilóquio é, também ela, comumente admitida pelos teólogos, como mostrei na tabela e como o afirma o Rev. Pe. Juan Martínez de Prado (OP) De Sacramentis in genere Dub. 6, p. 358 ponto 24: “per tot saecula in Ecclesia admissa”.]

[9. Table des matières (Índice de matérias), 1924-1933 p. 392, desenvolvido no 28.º ano p. 664.]

Passemos ao caso análogo da jurisdição:

Para De Lugo e Martínez de Prado: um Anjo ou Bem-Aventurado, em virtude de uma dispensa de Deus, pode fazer uso de jurisdição, o que confirmam indiretamente os outros autores.

O célebre Cardeal Juan de Lugo (SJ) trata do assunto em muitas páginas pelo caso hipotético de São Pedro voltando à terra. Afirma que este não teria o poder das chaves, pois ele as transferiu a seus sucessores[10]. Consequentemente, não poderia fazer uso delas… Mas acrescenta: “nisi expresse constaret de divina dispensatione, quae in dubio praesumi non debet” ou seja: “a não ser que se constate claramente uma dispensa divina, que na dúvida não se deve presumir”[11].

[10. É geralmente admitido pelos teólogos que a jurisdição se perde com a morte e que, portanto, se um Papa ou um Bispo ressuscitasse, ele não teria jurisdição alguma.]

[11. Responsorum Moralium, liber I, dubium XVI. O pensamento do Cardeal assim exposto pode parecer rápido, na realidade – como acabamos de dizer – ele é bastante desenvolvido.]

Citemos ainda Juan Martínez de Prado (OP), que diz que os Anjos e os Bem-Aventurados não têm jurisdição, salvo por derrogação especial de Deus[12]

[12. Rev. Pe. Juan Martínez de Prado (OP), De Sacramentis in genere, Dub. 6, p. 361 (anno 1660), que trata a questão em muitas páginas.]

Nesses dois teólogos, em matéria de dispensa divina, tudo se passa quanto à jurisdição como quanto aos sacramentos, não se vê de resto por que seria de outro modo.

Mas, se não encontramos senão poucos teólogos tratando explicitamente da questão, isso não nos impede de refletir e observar que todos os autores da tabela (incluídos aí os da terceira coluna), ao afirmarem que um Anjo ou Bem-Aventurado pode em certos casos administrar um sacramento, afirmam por isso mesmo que Deus permite-lhes contornar a jurisdição da Igreja: pois, do modo como as coisas foram instituídas por Cristo, não poderia haver sacramento lícito fora de uma missão proveniente da hierarquia jurisdicional[13].

[13. O Concílio de Trento, com efeito, fulminou contra os protestantes:

“Se alguém disser […] que aqueles que não foram legitimamente ordenados nem enviados por uma autoridade eclesiástica e canônica, mas vêm doutra parte, são ministros legítimos da Palavra e dos sacramentos: seja anátema.”

“Fora de uma comissão recebida da Igreja Católica, a administração dos sacramentos é ilícita e sacrílega. (…) A autoridade para ministrar os sacramentos vem toda ela da missão dada aos Apóstolos. (…) Mas a missão apostólica encontra-se tão somente na Igreja Católica… Ainda que seja possível, de fato, dispor dos bens de outrem sem ter recebido dele missão para tanto, nada é mais certo do que o fato de que ninguém dispõe legitimamente daquilo que pertence a outrem sem ser por mandato deste. Ora, os sacramentos são bens de Cristo. Logo, não são legitimamente ministrados senão por aqueles que têm missão da parte de Cristo, ou seja, aqueles dos quais emana a missão apostólica.”
(Cardeal Billot, De Sacramentis, tese XVI).]

Como explicar que Deus possa contornar a hierarquia jurisdicional? As razões pelas quais Deus pode contornar a hierarquia jurisdicional que Ele instituiu são, sem dúvida, as mesmas que as razões pelas quais Deus pode contornar a hierarquia sacramental que Ele estabeleceu. Basta trocar a palavra sacramento pela palavra jurisdição nos textos citados, para se dar conta de que as dificuldades e as soluções são as mesmas.

Pensamos inclusive, se bem que este estudo não tenha por objetivo principal demonstrá-lo, que Deus poderia muito bem instituir um Papa por poder divino extraordinário. Com efeito, o Soberano Pontificado é a plenitude da jurisdição e se Deus, de maneira extraordinária, pode dá-la em parte, por que não poderia dá-la em totalidade? Se bem que seja este um caso de escola, nos deteremos nele por algumas linhas.

Desenvolvamos nosso estudo mais em detalhe respondendo às objeções…

Objeção 1:

Se Deus instituísse um novo Papa por milagre, esse Papa não mais faria parte da mesma hierarquia que aquela que Deus fundou sobre o Bem-Aventurado Pedro: haveria então uma nova hierarquia.

1.ª Resposta:

Por instituição de Cristo a sucessão jurisdicional se passa praticamente[14]assim:

“[A sucessão apostólica] é dita perene ou ininterrupta, quer materialiter, na medida em que não faltam totalmente pessoas que sem interrupção assumiram o lugar dos apóstolos, quer formaliter, na medida em que essas mesmas pessoas que sucederam os Apóstolos gozam da autoridade transmitida pelos próprios apóstolos recebendo-a daquele que a possui em ato e pode comunicá-la (p. 559)”.[15]

Mas vimos acima que Deus pode contornar Sua instituição[16]. O problema consiste, pois, somente em saber como o novo Papa instituído de maneira extraordinária se conectaria à sucessão de São Pedro, não tendo surgido normalmente dela[16b].

Respondemos que haveria então sucessão moral: Deus quer que o novo Papa suceda o precedente, e isso deve bastar: um direito jurídico se abre à sucessão; mas também, e em menor medida, sucessão: no espaço (sucessão no mesmo local), no tempo (sucessão cronológica), sucessão jurídica (em lugar de, na sede de), sucessão moral conforme a mesma doutrina, etc. Nada obriga, com efeito, que haja aí sucessão física; por dispensa divina uma hierarquia pode se perpetuar moralmente, como se vê na resposta seguinte.

[14. Dizemos “praticamente” porque, a bem dizer, não pensamos que uma definição tão estreita e tão física possa dar conta da sucessão tal como ela se operou em certo momento da Igreja, mas isso ultrapassa o quadro do nosso estudo.]

[15. Camillus Card. Mazzella De Religione et Ecclesia Praelectiones Scholastico-dogmaticae, Romae: 1896. Citado em La Papauté Matérielle do Pe. Donald Sanborn. Ver o latim em referência.]

[16. A qual nem por isso pode desaparecer. Ver objeção 4.]

[16b. (N. do T.) No original: Le problème est donc seulement de savoir comment le nouveau Pape institué de façon extraordinaire se raccrocherait à la succession Saint Pierre, s’il ne s’y rattache pas de par icelle.]

2.ª Resposta:

O Doutor Bellarmino e muitos outros citam como próprio a ilustrar seu ensinamento o fato de que Santo Anfilóquio foi sagrado por Anjos[17]. Eles não veem inconveniente nisso[18]. No entanto, poder-se-ia objetar exatamente os mesmos argumentos: a hierarquia sacramental instituída por Nosso Senhor seria interrompida em prol de uma outra hierarquia sacramental instituída muito depois. Donde a necessidade de admitir uma sucessão moral que nem por isso é menos real e suficiente, quando é selada por um milagre.

Notemos ainda, na esteira de diversos autores, que os sacramentos administrados pelos anjos mudam muitas vezes de forma e de matéria com relação à instituição inicial de Cristo: por exemplo, no caso de Santo Anfilóquio, a matéria da sagração é a imposição das mãos; os anjos não têm mãos corporais mas aparências de mãos, logo a matéria não é mais a mesma. Quanto à forma dos sacramentos, consiste ela na palavra do ministro; os anjos não têm a faculdade de falar, mas simplesmente de produzir sons fazendo vibrar o ar. Também aí, a forma instituída por Cristo é a palavra produzida pela faculdade humana de falar (um padre que, na véspera do batismo, gravasse a forma em fita cassete, e recorresse a ela no momento de derramar a água, não batizaria validamente). Portanto, Cristo não está obrigado a utilizar a mesma forma e a mesma matéria que aquelas que Ele instituiu inicialmente. Não vemos por que seria diferente com a sucessão à Sé de Pedro: Deus não está obrigado a passar pela hierarquia, a matéria e a forma que Ele instituiu; não vemos vestígio algum de uma tal alienação.

[17. Certos teólogos que não marcamos com uma ✝ na tabela, sem falar de Santo Anfilóquio citam, não obstante, o exemplo do sacramento de ordenação que poderia ser conferido por um Anjo.]

[18. De resto, mesmo supondo que se chegasse a provar que o fato não se deu, isso não muda nada na doutrina dos teólogos que o consideram inteiramente plausível.]

Objeção 2:

Se um sacramento ou uma jurisdição fossem dados por milagre, não se poderia reconhecê-los como válidos senão após a aprovação do milagre pela Igreja. Logo, a instituição de um Papa por milagre seria de reconhecimento impossível, pelo fato de que não haveria ninguém para reconhecer com certeza o milagre.

Resposta:

Esse argumento subentende que a razão não é capaz de reconhecer com certeza a existência do milagre, que o milagre não se torna certo a não ser depois da aprovação dele pela Igreja.

Esse argumento é contrário ao Concílio Vaticano (1869-70), é o dos racionalistas, que destroem a acessibilidade do milagre à razão, destroem a divindade da Igreja, que repousa sobre o milagre. Com efeito, nós sabemos que a Igreja é divina porque ela foi instituída por Jesus Cristo, que é Deus, e nós sabemos que Jesus Cristo é Deus porque Ele fez numerosos milagres. Mas se a nossa razão não pode alcançar com certeza o milagre, ela não pode alcançar a divindade de Nosso Senhor e, portanto, de sua Igreja. É por isso que o Concílio Vaticano declara:

“Não obstante, para que a homenagem de nossa fé estivesse em conformidade com a razão, quis Deus ajuntar aos auxílios internos do Espírito Santo as provas exteriores da sua revelação, isto é, os fatos divinos e, sobretudo, os milagres e as profecias, os quais, por demonstrarem abundantemente a onipotência e a ciência infinita de Deus, são sinais certíssimos da revelação divina e apropriados à inteligência de todos.”
[19. Constituição Dei Filius, capítulo III (latim em anexo).]

Eis o cânon do Concílio:

“Se alguém disser que não pode haver milagres, e que portanto todos os relatos de milagres, também os contidos na Sagrada Escritura, se devem relegar ao reino da fábula e do mito; ou disser que os milagres nunca podem ser conhecidos com certeza, nem se pode por eles provar validamente a origem divina da religião cristã – seja anátema.”
[20. Constituição Dei Filius, capítulo III, cânon 4 (latim em anexo).]

Citemos ainda a Encíclica Immortale Dei:

“Quanto a decidir qual religião é a verdadeira, isso não é difícil a quem quiser julgar disso com prudência e sinceridade. Efetivamente, provas numerosíssimas e fulgurantes, a verdade das profecias, a multidão dos milagres, a prodigiosa celeridade da propagação da fé, mesmo entre os seus inimigos e a despeito dos maiores obstáculos, o testemunho dos mártires e outros argumentos semelhantes provam claramente que a única religião verdadeira é a que o próprio Jesus Cristo instituiu e deu à sua Igreja a missão de guardar e propagar.”
[21. Encíclica Immortale Dei (latim em anexo).]

Isso não impede que haja pessoas seduzidas por prodígios operados, tais como os de “Gregório XVII” ou outros papócrifos, assim como há gente que se deixa seduzir pelos prodígios dos ortodoxos, protestantes ou muçulmanos… Não deixa de ser verdade que, conforme se estuda em apologética, o milagre divino pode ser distinguido de sua imitação diabólica.

É preciso resguardar-se também de confundir o milagre público, em atestação direta de uma derrogação de Deus à ordem que Ele estabeleceu, e uma revelação privada ou milagres em atestação da santidade de uma pessoa. Por exemplo, não é porque uma santa pessoa estigmatizada diz que, ou então teve a revelação de que, ou a visão de que, ou faz verdadeiros milagres, que se pode invocar a autoridade de suas revelações privadas, ou de seus milagres, para contornar a hierarquia.

Assim São Vicente Ferrer pôde dizer durante o Grande Cisma, provavelmente referindo-se a Santos(as) de seu tempo julgando qual Papa era o verdadeiro: “Não devemos julgar da legitimidade dos Papas por profecias, milagres e visões. O povo cristão é governado por leis, contra as quais os fatos extraordinários não provam nada.” [22. São Vicente Ferrer, De moderno Ecclesiae schismate, citado por F. Mourret in Histoire générale de l’Église, tomo V (p. 128), Bloud et Gay, 1914. Citação gentilmente transmitida por N.] Assim, apoiar-se hoje em dia unicamente nas “profecias de São Malaquias” ou nas revelações de Marie-Julie para dizer que fulano é Papa, seria sem dúvida nenhuma absurdo. Para não nos alongarmos, remetemos sobre este assunto à distinção entre fenômenos sobrenaturais públicos e fenômenos sobrenaturais privados, assim como à autoridade débil, para não dizer inexistente, destes últimos.

Objeção 3:

Vossa conclusão é contrária ao Concílio de Trento e ao ensinamento dos teólogos, por exemplo o ensinamento que declara que não se pode ser ministro legítimo da palavra e dos sacramentos não tendo sido enviado pelo poder eclesiástico e canônico.

Resposta:

Numa definição da Igreja, não se deve ater-se à letra que mata, mas àquilo que a autoridade que definiu quis significar.

Os Padres do Concílio de Trento, no quadro da Contra-Reforma, quiseram significar contra os protestantes que, por instituição de Cristo, cumpre ser enviado pela Igreja e que não pode haver ministério fora desse envio. Estou inteiramente de acordo.

Que os Padres do Concílio de Trento tenham tido em vista definir que mesmo Cristo não poderia contornar Sua instituição, enviando um Anjo, não é crível de jeito nenhum.

O Concílio de Trento foi feito no quadro da Contra-Reforma, ou seja, contra os pastores protestantes. Agora, não vejo em parte alguma que os Padres do Concílio tivessem tido esta intenção de eliminar o caso raríssimo do sobrenatural. Haveria então que admitir que autores como o Doutor Bellarmino e todos aqueles que citei, e que escreveram após o Concílio de Trento, têm um ensinamento herético.

De resto, a interpretação do Concílio que eu dou encontra-se já no estudo do Pe. Cekada “Home-alone?”, estudo que o leitor poderá consultar.

Pode-se fazer o mesmo raciocínio quanto a diversos teólogos que parecem se opor ao supra, mas que de fato não se lhe opõem senão verbalmente, não tendo em vista esse caso totalmente excepcional.

Objeção 4:

Vossa conclusão é contrária ao Concílio Vaticano, que na Pastor Aeternus declara que São Pedro deve sempre ter sucessores em seu primado, e que deve haver Pastores e Doutores até ao fim dos tempos.

Resposta:

Ao afirmar que Deus pode preterir as vias ordinárias que Ele estabeleceu, não afirmo que essas vias não mais existam. Para evitar toda confusão: eu reafirmo solenemente que há ainda, no momento em que escrevo, possibilidade humana de prover à Sé de Pedro e creio a hierarquia sempre presente (embora diminuída: é o mínimo que se pode dizer). Eu afirmo também que não é necessário que Deus recorra ao milagre para a restauração de Sua Igreja sempre viva, mas que se trata de uma possibilidade que não se pode subtrair d’Ele.

Após um título como “o milagre na economia da Igreja”, o leitor poderia ter esperado muito mais do que um estudo de uma dezena de páginas. Teria havido que tratar todo o lado histórico, ora me atenho somente ao exemplo mais impressionante de Santo Anfilóquio. Mesmo quanto a este exemplo, teria havido que precisar que os autores, se bem que concordam em dizer que foi bem-sucedido e que houve aí realmente transmissão do episcopado – plenamente válido, ou seja, não renovado e não renovável –, não concordam todos acerca da natureza dessa transmissão. Teria havido que ser bem mais preciso no parecer dos autores, que se teria podido citar em número ainda maior. Enfim, haveríamos antes de ter partido do pensamento de Santo Agostinho, visto exatamente o que ele quis dizer[23]. Etc. Teria sido interessante notar, de passagem, que os fatos históricos de Bem-Aventurados voltando para exercer um ministério ocorreram essencialmente por São João Batista ou São Pedro e São Paulo.

[23. Santo Agostinho parece dizer, também ele, que um Anjo pode administrar o batismo:
Libro Secundo contra epistolam Parmeniani capite 15.:
(ele não se pronuncia quanto a saber se o Anjo é ministro do batismo ou se é somente ministro por um poder excepcional conferido por Deus):
[contexto: Santo Agostinho refuta a carta de Parmeniano que diz que um pecador não pode dar validamente o batismo.]
“É verdade que ninguém recebe senão na medida em que alguém lhe dá; mas, em se tratando da santidade do batismo, é Deus quem dá, quem recebe é o homem, quer Deus dê por Si Mesmo e diretamente, quer dê Ele por Seus Anjos, por Santos como Pedro e João, por pecadores sejam ocultos ou públicos, […].” A partir da tradução do Pe. Burleraux.]

Certamente que tratar de tudo isso teria sido apaixonante; não o fiz por falta de tempo, mas principalmente porque eu quis um estudo que fosse lido e, portanto, que fosse breve. Eu quis simplesmente mostrar que Deus podia ultrapassar os limites que Ele nos fixou, a nós pobres humanos, dando os pontos em que os teólogos estão de acordo.

Eis então o resultado ao qual creio ter chegado:

Conclusão geral: Nada na constituição da Igreja indica que Cristo esteja obrigado a passar unicamente pelas hierarquias que Ele instituiu. A unanimidade moral dos teólogos que trataram da questão afirma peremptoriamente e explicitamente que Deus pode contornar a hierarquia sacramental e admite (por força) tanto explicitamente, quanto implicitamente, que Ele não está preso à forma e à matéria dos sacramentos. Quanto à jurisdição, De Lugo e De Prado asseguram que Deus pode realizar um ato jurisdicional fora da hierarquia de jurisdição. Os autores, ao afirmarem o ministério sacramental extraordinário, admitem implicitamente mas realmente que Deus pode contornar a hierarquia jurisdicional, fora da qual não há sacramentos lícitos. Agora cabe aos que pretendem que Deus restringiu Seus direitos, e que isso faz parte da Constituição da Igreja, fornecer a prova disso.

Anexo: Fontes

– Concílio de Trento:

Sessão XIII, cânon VII[24]

[24. “Si quis dixerit, episcopos non esse presbyteris superiores; vel non habere potestatem confirmandi et ordinandi, vel eam, quam habent, illis esse cum presbyteris communem; vel ordines ab ipsis collatos sine populi vel potestatis saecularis consensu aut vocatione irritos esse; aut eos, qui nec ab ecclesiastica et canonica potestate rite ordinati nec missi sunt, sed aliunde veniunt, legitimos esse verbi et sacramentorum ministros: an.s.”
Can. 7: Cc.Trid.: sess. XXIII: Decr. De sacram. ordinis]

– Concílio Vaticano (1869-70):

Constituição Dei Filius, capítulo III;[25]

[25. “Ut nihilominus fidei nostrae obsequium rationi consentaneum esset, voluit Deus cum internis Spiritus Sancti auxiliis externa iungi revelationis suae argumenta, facta scilicet divina, atque imprimis miracula et prophetias, quae cum Dei omnipotentiam et infinitam scientiam luculenter commonstrent, divinae revelationis signa sunt certissima et omnium intelligentiae accommodata.”]

Constituição Dei Filius, capítulo III, cânon 4[26]

[26. “Si quis dixerit, miracula nulla fieri posse, proindeque omnes de iis narrationes, etiam in sacra Scriptura contentas, inter fabulas vel mythos ablegandas esse: aut miracula certo cognosci nunquam posse, nec iis divinam religionis christianae originem rite probari; anathema sit.”]

– Leão XIII:

Encíclica Immortale Dei[27]

[27. “Vera autem religio quae sit, non difficulter videt qui iudicium prudens sincerumque adhibuerit; argumentis enim permultis atque illustribus, veritate nimirum vaticiniorum, prodigiorum frequentia, celerrima fidei vel per medios hostes ac maxima impedimenta propagatione, martyrum testimonio, aliisque similibus liquet, eam esse unice veram, quam Iesus Christus et instituit ipsemet et Ecclesiae suae tuendam propagandamque demandavit.” Leo XIII, 1 Nov. MDCCCLV]

– Santo Agostinho:

Libro Secundo contra epistolam Parmeniani capite 15[28]

[28. “Nemo ergo accipit sine dante: sed quod pertinet ad Naptismi sanctitatem, adest Deus qui det, et homo qui accipiat, sive per se ipsum donante Deo, sive per Angelum, sive per hominem sanctum, sicut per Petrum, sicut per Joannem; sive per hominem iniquum, sicut per tam multos vel latentes vel manifestos, quos ante tempus de messe colligere servi patrisfamilias prohibentur, et quos velut paleam frumenta dominica usque ad tempus ventilationis corde interim separati non temeritate corporaliter deserunt, sed pietate spiritaliter ferunt.”]

– São Roberto Bellarmino:

Controversiarum: de sacramentis in genere. Liber Primus, Qui est de natura, et causis sacramenti. Caput XXIV

– Santo Tomás:

Summa Theologiae IIIa Pars quaestio 64 articulus 7[29]

[29. Summa Theologiae IIIa Pars quaestio 64 articulus 7

arg. 1 Ad septimum sic proceditur. Videtur quod Angeli possint sacramenta ministrare: quidquid enim potest minister inferior, potest et superior, sicut quidquid potest diaconus, potest et sacerdos, sed non convertitur. Sed Angeli sunt superiores ministri in ordine hierarchico quam etiam quicumque homines, ut patet per Dionysium, in libro Cael. Hier. Ergo, cum homines possint ministrare in sacramentis, videtur quod multo magis Angeli.

arg. 2. Praeterea, homines sancti assimilantur Angelis in caelo, ut dicitur Matth. XXII. Sed aliqui sancti in caelo existentes possunt ministrare in sacramentis, quia character sacramentalis est indelebilis, ut dictum est. Ergo videtur quod etiam Angeli possint in sacramentis ministrare.

arg. 3. Praeterea, sicut supra dictum est, diabolus est caput malorum, et mali sunt membra eius. Sed per malos possunt dispensari sacramenta. Ergo videtur quod etiam per Daemones.

Sed contra est quod dicitur Heb. V, omnis pontifex, ex hominibus assumptus, pro hominibus constituitur in his quae sunt ad Deum. Sed Angeli boni vel mali non sunt ex hominibus. Ergo ipsi non constituuntur ministri in his quae sunt ad Deum, idest in sacramentis.

co. Respondeo dicendum quod, sicut supra dictum est, tota virtus sacramentorum a passione Christi derivatur, quae est Christi secundum quod homo. Cui in natura conformantur homines, non autem Angeli, sed potius secundum passionem dicitur modico ab Angelis minoratus, ut patet Heb. II. Et ideo ad homines pertinet dispensare sacramenta et in eis ministrare, non autem ad Angelos.

Sciendum tamen quod, sicut Deus virtutem suam non alligavit sacramentis quin possit sine sacramentis effectum sacramentorum conferre, ita etiam virtutem suam non alligavit Ecclesiae ministris, quin etiam Angelis possit virtutem tribuere ministrandi in sacramentis. Et quia boni Angeli sunt nuntii veritatis, si aliquod sacramentale ministerium a bonis Angelis perficeretur, esset ratum habendum, quia deberet constare hoc fieri voluntate divina, sicut quaedam templa dicuntur Angelico ministerio consecrata. Si vero Daemones, qui sunt spiritus mendacii, aliquod sacramentale ministerium exhiberent, non esset ratum habendum.

Ad 1 Ad primum ergo dicendum quod illud quod faciunt homines inferiori modo, scilicet per sacramenta sensibilia, quae sunt proportionata naturae ipsorum, faciunt Angeli, tanquam superiores ministri, superiori modo, scilicet invisibiliter purgando, illuminando et perficiendo.

Ad 2 Ad secundum dicendum quod sancti qui sunt in caelo, sunt similes Angelis quantum ad participationem gloriae, non autem quantum ad conditionem naturae. Et per consequens neque quantum ad sacramenta.

Ad 3 Ad tertium dicendum quod mali homines non habent quod possint ministrare in sacramentis ex hoc quod per malitiam sunt membra diaboli. Et ideo non sequitur quod diabolus, qui est eorum caput, magis hoc possit.]

Super Sent., lib. 4 d. 5 q. 2 a. 3 qc. 2 co.[30]

[30. Quaestiuncula 2.

Super Sent., lib. 4 d. 5 q. 2 a. 3 qc. 2 co. Ad secundam quaestionem dicendum quod Angelis bonis non est collata potestas baptizandi, propter duas rationes. Primo, quia non habent praedictam convenientiam cum sacramento, et cum Christo, qui est auctor sacramenti. Secundo, quia ad necessitatem Baptismi non valeret potestas eis concessa, cum non sint in promptu hominibus, ut per eos baptizentur. Sed sicut Deus potentiam suam sacramentis non alligavit, ita nec potestatem consecrandi sacramenta alligavit aliquibus ministris; unde qui dedit hanc potestatem hominibus, posset dare et Angelis. Nec Angelus bonus baptizaret nisi divinitus potestate sibi concessa; unde si baptizaret, non esset rebaptizandus, dummodo constaret quod bonus Angelus esset; sicut et judicatum est, templum quod per Angelos consecratum est, non oportere per hominem consecrari, ut legitur in historia dedicationis sancti Michaelis.]

– Billuart:

Tomus sextus, articulus II, Quis sit sacramentorum minister ?

– Suarez:

De sacramentis, ed. Vivès, Parisiis, t. xx, p. 231 sq.

– Cardeal Billot:

de Sacramentis, thesis xvi.

– De Lugo:

Disputationes Scholasticae, De sacramentis in genere disp. 8 sect. 1
Responsorum Moralium, Liber I, Dubium XVI

– Padre Berthier:

Abrégé de théologie, n. 785

– Ami du Clergé:

Table des Matières, 1924-1933 p. 392, desenvolvida no Ano XXVIII p. 664.

– Christophore Delgadillo:

Tractatus de Sacramentis in genere et aliquibus in specie, in doctrina … p. 67

– Antonio Maria Boranga:

Institutiones theologico dogmatico canonico historico morales T. IV p. 31

– Nicolaus Muszka (ESJ):

De Sacramentis Novae Legis Dissertationum Theologicarum Libri Octo p. 183

– Jean Trullench:

Praxis Sacrament. Ioannis Aegidii Trullench anno 1646 Lib I, Cap. II, Dub. III p. 11.

– Edmond Voit (S.J.):

Theologia moralis, De sacramentis in genere, et in specie; item de censuris … (De ministro sacramentorum pars II, p. 23)

– Nicolas Pawels:

Theologia practica: De sacramentis in genere et tribus primis in …, Volume 2 p. 55

– Jacques Marchant:

La Vierge Fleurie d’Aaron, Traité II, Leçon I

– Drouin:

Theologiae Cursus Completus, J-P Migne, T. XX, col. 1362

– Paul Gabriel Antoine (S.J.):

Theologiae Universae Speculativae, Dogmaticae et Moralis Tomus Tertius (Anno MDCCLV)

– Edmond Simonn (S.J.):

Institutiones Theologiae Ad Usum Seminariorum:
De Ministro Sacramentorum T. VII p. 120, 121.

– Gaspar Hurtado (S.J.):

Tractatus de sacramentis. Complectens tractatus de sacramentis in genere … p. 78 (Anno 1629)

– Beneditinos de Etonnis:

Theologia Universalis dirigente P. Gallo Cartier T. IV p. 64 (Anno MDCCLVII)

– Maurus Oberascher (OSB) anno 1676:

Speculativo-Practici Tractatus De Sacramentis: De Sacramentis In …, Volume 1 p. 102

– Vincent Fernandez:

Celeberrimae disputationes, de sacramentis in genere, et … p. 94 (anno 1641)

– Jean Lorent Berti:

Libri de theologicis disciplinis: Qui de Sacramentis in genere, ac …, Volume 6 p. 132, 133 (Propositio II)

– Bricout:

Dictionnaire de Connaissances Religieuses, au mot sacrement.

– Dom François-Louis-Donat Godefroy:

DTC, X col. 1776-1777

– Augustin Bernal:

Disputationes de sacramentis MDCLI p. 166

– Domenico Viva:

Cursus Theologic.: Ad Usum Tyronum elucubratus, & in quotidianis …, Vol. 7 p. 127

– Martin de Esparza:

Quaestiones Disputandae, Pars Prior, De Sacramentis In genere, & in specie (1658): Quaestio XII p. 104

– Prümmer:

Manuale Theologiae Moralis, T. III, n. 53

– Rev. Pe. Auguste-Alexis GOUPIL, s.j. :

La Règle de la Foi, chapitre troisième, point 56.

– Constantino Roncaglia:

Universa Moralis Theologia, Tomus Secundus MDCCLX

– Charles Louis de Lantages:

Catéchisme de la Foi e des moeurs, Part IV, Migne, col. 357

– Cajetano Corazza:

Tractatus Theologicis Morales: Tractatus III, punctum 86, p. 112

– Cajetan

que refuta:

– Duns Scot.[31]

[31. Commentaria Cardinalis Caietani:

In titulo est sermo de Angelis quoad naturam, sive boni sive mali sint. Et rursus est sermo de potestate ordinaria; hoc est: An, secundum communem cursum ordinis instituti a Deo, Angeli possint ministrare sacramenta.

In corpore articuli quatuor fiunt. Primo, respondetur quaesito; deinde, ad bonitatem doctrinae, tractatur de potestate delegabili ipsis Angelis, ubi tria dicuntur, ut patebit.

Quoad primum, conclusio est: Angeli non possunt ministrare sacramenta. Probatur. Tota virtus sacramentorum derivatur a Christo patiente. Ergo ad homines, et non ad Angelos pertinet ministrare sacramenta. – Consequentia probatur ex duobus. Primo, ex dissimilitudine naturae : quia scilicet Christo homines, non Angeli, assimilantur in natura. Secundo, quia Christus patiens, inquantum patiens, fuit minor Angelis: minister autem non debet esse maior principali agente , ut contingeret in proposito, si sancti Angeli essent ordinarie ministri Christi patientis.

Secunda conclusio est quod potest conferri Angelis quod administrent sacramenta. Probatur. Quia Deus non alligavit virtutem suam ministris Ecclesiae, sicut nec sacramentis.

Tertia conclusio est de exercitio administrationis sacramentorum a bonis Angelis: Si administrarent sancti Angeli sacramentum aliquod, deberet haberi pro vero sacramento. Probatur. Quia sancti Angeli sunt nuntii veritatis.

Quarta est: Si daemones aliquid huiusmodi facerent, habendum esset pro falso: quia sunt spiritus mendacii.

II. Adverte hoc in loco quod circa primam conclusionem Scotus, in IV Sent., dist. VI, qu. I, opinatur oppositum, tenens quod omne suppositum intellectualis naturae potest sacramentum aliquod conferre, saltem baptisma.

Et ratio sua est, quia potest abluere aqua hominem proferendo verba debita, et habere intentionem faciendi quod facit Ecclesia: haec enim tria requiruntur et sufficiunt ad ministrum. Et haec omnia potest Angelus in assumpto corpore exercere.

Rationabilior autem Auctoris positio ex allatis in littera invenitur. Fundata enim est super auctoritate Apostoli, ad Heb. V, ubi pontificem omnem hominem declarat. Unde magnum argumentum assumitur ad propositum: quod, si maximum ministerium Ecclesiae soli homini convenit, ita quod Angelis denegatur, quale est pontificatus, multo magis minima ministeria Ecclesiae Angelis denegantur. – Fundatur et super ratione qua ministri debent assimilari principali agenti.

Ratio autem Scoti deficit in hoc manifeste, quod aequivoce utitur locutione. Locutio enim requisita ad ministrum sacramenti, est actus vitalis loquentis. Locutio autem Angeli in corpore assumpto est motus corporis non viventis, ut patet. – Potest quoque dici quod deficit in alio: scilicet quod applicatio sacramenti debet fieri per instrumentum coniunctum primo, et mediante illo per instrumentum separatum; quod hic non haberet locum.

Et quamvis hoc non multum urgeat, primus tamen defectus cogit. Et quia primus defectus invenitur in omni supposito rationali extra humanam speciem, ideo oportet hominem esse qui ministret sacramenta.

Et sic patet quod minor Scoti est falsa, univoce sumendo rationem verborum. Aut maior est falsa, si prolationem verborum sumat quovis modo. Praeter principalem defectum prius dictum: scilicet quod oportet baptizantem esse Christi ministrum; ac per hoc, Christo homine non maiorem, sed conformem in natura.]

– Ambroise Guillois:

Explication historique, dogmatique, morale, liturg. et canonique du catéchisme p. 25, Question: Quel est le ministre des sacrements?

– Padre Reynaud (padre da diocese de Grenoble):

Méditations Spéculatives et pratiques ou dogmatiques, T. VII, p. 255 et suiv. (1839)

– Vincent Vinial:

Tractatus primus de sacramentis in genere anno 1643 par p. 350 et suiv.[32]

[32. Citados nesse livro como do parecer de Santo Tomás sobre a questão:

– Sayrus: de sacram. In com. Lib. I cap. 3

– Valentia: tom. 4 disp. 3 quaest. 5 punct. 3 §Nihilominus tamen.

– Vasquez: disp. 138. cap. I num. 8

– Becanus: de sacram. Cap. 5 quaest. 2 num. 4

– Reginaldus: in praxi lib. 26 num. § tertia causa.

– Heredia: repetit. De Sacram. In gen. Par. 10. dub 1 num. 2

– Bonacina: de sacra. Disp. I quaest. 3 puncto i num. 10.

– Candidus: disqq. Mor. Disq. 16 ar4

– Gamacheus: 3. par. Quaest. 64 cap. 2 ad finem.

– Henriquiez: in sum. Lib. 1 cap. 26 num. 2]

– Juan Martínez de Prado (OP):

De Sacramentis in genere Dub. 6, p. 353 (anno 1660)[33]

[33. Citados nesse livro como retomando o exemplo de Santo Anfilóquio:
Henriquiez, Becanus, Hurtadus, Surianus, Morandus, Gabriel a Santo Vincentio, Sayrus.]

– Antonio Joseph:

Compendium Salmanticense, Universae Theologiae Moralis, Tomus II, punctum V.: de sacramento ministro

– Camillus Card. Mazzella[34]:

De Religione et Ecclesia Praelectiones Scholastico-dogmaticae, Romae: 1896.
Citado em: La Papauté Matérielle, do Pe. Donald Sanborn.

[34. “Dicitur [Apostolica sucessio] perennis seu non interrupta, tam scilicet materialiter, quatenus non desint omnino personae quae iugiter Apostolis substituuntur, quam formaliter, quatenus hae ipsae personae substitutae potiuntur auctoritate ab Apostolis derivata, ab eo illam accipientes, qui actu illam habet, et communicare potest.”]

Trad. por Felipe Coelho.

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