O PROBLEMA DO FARISAÍSMO E DA SOLA FIDE TRADICIONALISTAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Não, não larguei a minha posição a qual sou adepto há mais de meio ano. Esse texto tampouco para atacar todos os tradicionalistas num geral, inclusive sedevacantistas, mas sim a negligência espiritual de muitos, pois, parecem fariseus e luteranos. Comecemos pela aparente sola fide.

Nesse breve texto, não vou me aprofundar muito na questão da justificação em si (cf: ANÁLISE CRÍTICA DA DECLARAÇÃO CONJUNTA SOBRE A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO), mas essa heresia de Lutero, eu vejo também, de forma velada no meio sedevacantista e também no meio tradicionalista em geral, incluindo os lefebvristas ligados à FSSPX e Resistência. Se não bastasse viverem praticamente um sola sacramentae, vê-se também a heresia luterana de forma mais refinada nesse meio.

O que difere a sola fide de Lutero com a dos tradicionalistas é que a noção de fé ao menos é ortodoxa. Vê-se realmente um grande zelo pela doutrina pregada pela Igreja antes do Conciliábulo (Vaticano II). Enquanto que Lutero prega uma confiança humana na aplicação do mérito do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz, nós, católicos pregamos a fé como uma virtude teologal pela qual cremos, de forma sobrenatural, em tudo o que Deus revelou e que toda essa matéria é ensinada por meio do Magistério da Igreja a partir de dupla fonte: Sagrada Escritura e a Tradição Apostólica.

Os luteranos, ao contrário dos católicos, não acreditam na necessidade das obras, da vida de piedade. Basta fazer um ato de fé e será salvo. A pessoa pode fazer o que quiser e está salva. Resumindo, ainda que tenha um ou outro protestante com sua piedade natural (dentro daquilo que a natureza sem a graça permite), não raro se vê protestantes com uma péssima vida com extrema licenciosidade justamente por causa da heresia pregada por Lutero. Você só precisa crer, ainda fornique e pratique milhares de homicídios (carta a Melanchton, 1º de agosto de 1521).

Hoje, com a crise se impondo aos católicos devido à vacância da Sé Apostólica e infiltração modernista em todo clero, ficamos privados de bons pastores e sacramentos. Os sacerdotes são poucos e poucos têm acesso a sacramentos. Somos forçados a santificar o domingo em casa, não podemos mais cumprir o preceito dominical como faziam nossos antepassados. Com a apostasia geral, temos que recorrer ao tesouro acumulado pelo Magistério até o desastre conciliar.

O problema é, devido à mancha do pecado original, muitos resolveram pontificar se aproveitando da situação da vacância da Sé. Vemos na internet inúmeras pessoas em disputas vãs colocando teses teológicas não resolvidas ou formas litúrgicas como se tudo isso fosse mais importante que a vida espiritual, a vida de piedade, as obras. São Vicente Ferrer nos ensina que “contendas e disputas nos fazem perder muito mais, enfraquecendo a humildade, a tranquilidade e a paz de coração, do que poderíamos ganhar pelos mais perfeitos exercícios de virtude” (Tratado sobre a Vida Espiritual, c. III). E eu mesmo vi alguém envolvido em disputas chamando os outros de vagabundo enquanto que no mesmo texto atribui a si o título de “bom católico”, isso é farisaísmo explícito, pois vemos aí o explícito retrato do fariseu que despreza o publicano. Agradece a Deus por ser um bom católico não vagabundo como os outros.

O mundanismo também atinge o meio tradicional e isso me leva a pensar numa analogia. Podemos imaginar um local de trabalho onde o chefe se ausenta. É natural que boa parte dos empregados fiquem mais relaxados e descumpram inúmeras normas. O mesmo se dá na Igreja, pois sem o papa, muitos começam a relaxar.

Esse meu breve texto serve como uma exortação de alguém que não goza de nenhuma autoridade. Sou meramente um leigo, mas que percebo, à luz do que li e estudei todos esses problemas no meio tradicional.  Não caiamos na sola fide prática, pois rejeitar o Vaticano II e a missa nova por si só não nos colocará no Céu. O que nos salvará é o exercício da nossa caridade, o que pouco se vê, e nas vãs disputas pela internet vemos o real oposto. Não custa lembrar que Santo Tomás de Aquino nos ensina que essas contendas são pecado mortal (S.Th. II-II, q. 38, a. 1) e filha da vanglória (loc.cit., a. 1), que geralmente é o objeto dessas disputas vãs e levam à oposição contra a caridade. Muitos podem até guardar a fé, mas se perderão eternamente justamente por desprezar o irmão. Isso fará muitos apostolados serem absolutamente vãos ou, pior, se tornarem verdadeiras pedras de tropeço.

Espero que esse meu texto ajude.

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