A MORTE DA RAINHA ELIZABETH II, SEU DESTINO ETERNO E A ILUMINAÇÃO FINAL

Morreu ontem (segundo o horário em que foi publicado essa postagem) a Rainha Elizabeth Alexandra Mary, mais popularmente como Rainha Elizabeth II, no dia da Festa da Natividade de Nossa Senhora, a Virgem Santíssima, a Nossa Rainha. Tragicamente, ela não morreu não apenas como membro de uma falsa religião, mas como também a governadora dessa falsa religião. Isso levantou algumas discussões sobre o destino eterno de sua alma, e é sobre isso que pretendo discorrer. Seria errado presumir a sua condenação eterna?

Antes de responder a essa pergunta, devemos entender o que ensina a Doutrina Católica lendo o que diz o Syllabus no 17º erro proscrito:

Pelo menos deve-se esperar bem da salvação eterna daqueles todos que não vivem na verdadeira Igreja de Cristo.

Sabemos que, infelizmente, a Rainha Elizabeth II morreu fora da Igreja. Não apenas numa falsa religião, como ainda chefe essa falsa religião que é da Igreja Anglicana, que explicitamente cismática e herética, fundada pelo cismático Henrique VIII, de quem Elizabeth é herdeira. Sabendo disso, leiamos o que ainda a Igreja definiu solenemente:

A Igreja crê firmemente, confessa e anuncia que “nenhum dos que estão fora da Igreja católica, não só os pagãos”, mas também os judeus ou hereges e cismáticos, poderá chegar à vida eterna, mas irão para o fogo eterno “preparado para o diabo e para os seus anjos” [Mt 25,41], se antes da morte não tiverem sido a ela reunidos; <ela crê> tão importante a unidade do corpo da Igreja, que só para aqueles que nela perseveram os sacramentos da Igreja trazem a salvação e os jejuns, as outras obras de piedade e os exercícios da milícia cristã podem obter o prêmio eterno. “Nenhum, por mais esmolas que tenha dado, e mesmo que tenha derramado o sangue pelo nome de Cristo, poderá ser salvo se não permanecer no seio e na unidade da Igreja Católica (S.S. EUGÊNIO IV, Concílio de Florença, bula “Cantate Domino”, 4 de fevereiro de 1442, Denzinger-Hünermann 1351).

Olhando a Doutrina Católica, fica dificílimo esperar qualquer outra coisa que não seja a sua condenação eterna. Mas não apenas isso. A Rainha Elizabeth, nunca enfatizou bem a sua fé (em verdade, claro, não tinha fé alguma, mas sendo ela a governadora de uma seita herética e cismática que arroga para si o título de cristã, ao menos os princípios mais elementares deveriam aparecer) como, por exemplo, a posição pró-vida, com qual os católicos concordam com muitos protestantes, era o que deveríamos esperar de uma rainha, mas ela optou pela morte. Em 1967, por sua pena, o aborto foi legalizado na Inglaterra. Ela também nunca mostrou nenhuma oposição pública às agendas progressistas e, em sentido histórico, nenhum sinal de intenção e reparação por todos os crimes que a sua nação cometeu contra os católicos, contra os africanos, contra os índios americanos, contra os indianos, contra os caribenhos. Lembremos das suas malditas colonizações, da fundação da maçonaria, da deposição do Rei James II, dos corsários, da Revolução Industrial, dos crimes de guerra, da Guerra do Ópio, das mortandades de fome na Irlanda e na Índia. O Reino Unido é a nação mais criminosa da história por inúmeros motivos. A Rainha Elizabeth II carregou toda essa maldição de sua nação sem aparentemente achar nada de errado.

A Rainha Elizabeth II foi a rainha contemporânea do Concílio Vaticano II, o Conciliábulo. Os falsos papas que vieram passaram a realizar atos ecumênicos com os falsos bispos anglicanos. Sem estar em comunhão com a Igreja Católica, Francisco em um telegrama diz ainda que ela tinha um “firme testemunho de fé em Jesus Cristo” e “firme esperança em Suas promessas”. Isso de uma anglicana, cuja história conhecemos bem. Vemos que essa gente ajudou, e muito, a confirmar a Rainha no seu erro. Ela tampouco, assim, apesar de toda sua elegância, apesar de aparentemente não ter vivido uma vida moralmente escandalosa (ao contrário do seu sucessor Charles III), não pode mais ser escusada de ignorância invencível. Fora que sempre foi moralmente impossível ela ignorar a existência da Igreja Católica, pois a sua própria seita sempre foi perseguidora dos católicos e ela deve saber disso.

Desejo, obviamente, que todos se salvem, inclusive ela, mas podemos esperar a salvação dela? Desejar a salvação é algo que é, creio eu, lícito, pois não existiu santo que não tenha deseja a salvação mesmo de seus algozes, mas também parece que não tem como esperar, infelizmente, no caso dela. Ainda que não haja uma certeza absoluta, haja uma certeza moral. Alguém poderia objetar: não poderia ela ter uma iluminação final para se salvar? Aproveito a ocasião para reproduzir o artigo sobre a iluminação final do Pe. Hervé Belmont. Desejo a todos uma boa leitura.

A ILUMINAÇÃO FINAL, 2006 | por Pe. HERVÉ BELMONT

Designa-se pelo nome de iluminação final uma teoria que afirma que, na hora da morte, todo homem recebe uma iluminação especial da graça de Deus que lhe permite escolher entre Deus e o mal, entre o Céu e o Inferno. Será verdade? O que a Igreja diz disso? O que a teologia diz disso? Trata-se do caso das crianças mortas sem batismo, ou então se trata, para o adulto, da aceitação ou recusa da massa dos pecados que foram cometidos durante a vida?

Pesquisando documentos sérios, forçoso é constatar que a colheita é bem escassa. Escassíssima até. Os teólogos antigos não falam disso, apenas alguns modernos fazem alusão a isso e, o mais das vezes, a propósito das crianças mortas sem Batismo, e ainda para dizer que não dá para dizer grande coisa além de que isso é contrário ao pensamento da Igreja. Pode-se conferir, por exemplo, na obra de Albert Michel Enfants morts sans baptême [Crianças mortas sem batismo], Paris: Téqui, 1954.

Dessa pesquisa, podemos ainda assim extrair o seguinte.

1. Essa teoria é gratuita. Nada, nem na Sagrada Escritura, nem no Magistério da Igreja, nem no ensinamento dos Padres e dos teólogos, nem na pregação dos Santos, nada permite afirmar que uma tal iluminação exista. É aos que a afirmam que cabe trazer um começo de prova ou de verossimilhança. 

Remetendo-nos ao que diz Santo Tomás de Aquino sobre a morte e suas circunstâncias, vemos bem que não há espaço algum para essa iluminação nem para a possibilidade dela. Assim Contra Gentes, IV, 91, 92, 93, 95. 

2. Essa teoria é suspeita. Embora o Magistério não se tenha pronunciado diretamente, há mesmo assim indicações claríssimas sobre o que pensa disso a Igreja.

a] Eis o que escreve José Ricart Torrens, Du nombre des élus [Sobre o número dos eleitos], Nouvelles Éditions Latines, 1965, pág. 127:

« Em 5 de março de 1936, o Santo Ofício inscreveu no Índex dos livros proibidos o livro de Luis G. Alonso Getino, Del gran numero de los que se salvan y de la mitigación de las penas eternas (Madrid, f.e.d.a., 1934). 

Em 6 de março de 1936, o Osservatore Romano comentava assim esta colocação no Índex: 

“Esta condenação merece que lhe anexemos especial importância e que a assinalemos sem demora à atenção dos fiéis pelo erro gravíssimo que poderia causar-lhes a leitura do livro em questão. A referida publicação, com efeito, se inspira em ideias postas em voga há algum tempo, especialmente por teólogos protestantes; apoiando-se em argumentos especiosos e interpretações arbitrárias de textos da Santa Escritura e citando certas expressões pronunciadas por alguns Padres e Doutores, ataca-se a fundo a clara e precisa doutrina tradicional católica sobre a eternidade e a natureza das penas do Inferno. E, como se isso não bastasse, defende-se ainda por cima, ex professo, no mencionado volume, uma estranha teoria sobre uma pretensa iluminação especial que as almas humanas receberiam de Deus no momento de sua separação do corpo, e graças à qual elas se converteriam intimamente e perfeitamente ao Criador e seriam assim justificadas e salvas. 

Certamente, não são necessárias muitas palavras para fazer compreender o quão grave é o perigo escondido por trás dessas teorias que, não somente não têm fundamento algum na Revelação, mas estão mesmo em contradição com ela e com o sentir comum da Igreja.”»

b] Eis o que escreve Albert Michel, Doctrine et vie chrétiennes [Doutrina e vida cristãs], Paris: Berche et Pagis, 1946, pág. 310:

« É, portanto, no mínimo, grave temeridade imaginar que logo após a morte uma prorrogação normal, acompanhada de iluminação da graça, será ainda concedida ao pecador para converter-se. O Concílio do Vaticano preparara a definição seguinte: “Após a morte, termo de nossa vida, cumpre-nos comparecer todos imediatamente ao tribunal de Cristo… e após esta vida mortal, não é mais possível a penitência para se justificar.”»

Aqui está o texto exato ao qual faz referência A. Michel:

« Post mortem quæ est viæ nostræ terminus, illico omnes manifestari nos oportet ante tribunal Christi, ut referat unusquisque propria corporis prout gessit, sive bonum, sive malum (II Cor. v, 10) ; neque ullus post hanc mortalem vitam relinquitur locus pænitentiæ ad justificationem. » [Mansi LIII, 175. Citado no Dictionnaire de Théologie Catholique, artigo Mort, col. 2494]

O Concílio Vaticano I tendo sido interrompido pela guerra franco-alemã de 1870, esse texto não pôde ser apresentado nem votado. Não é, portanto, por si mesmo, um ato do Magistério. Mas é uma boa expressão do ensinamento constante da Santa Igreja Católica.

3. Essa teoria é nefasta. Ela entretém o pecador numa falsa segurança, contrariando a moção interior da graça que o atrai ao arrependimento e à conversão. Ela se opõe à pregação cristã, que deve recordar em tempo e fora de tempo os fins últimos e a sua gravidade. Efetivamente, com muita frequência Deus Se serve, para converter os pecadores, do temor salutar que Seu julgamento inspira, do temor de ser surpreendido pela morte em estado de pecado.

Essa teoria vem, pois, desarmar ou mesmo aniquilar a obra de Deus, deixando o pecador imaginar consigo que ele sempre pode resistir à graça, por lhe restar uma última chance que resgatará tudo. 

Não se deve crer que se exalta a misericórdia de Deus imaginando uma sistemática repescagem in extremis. A misericórdia de Deus é infinitamente maior: é durante o curso da vida aqui embaixo que ela converte, que ela santifica, que ela eleva o ex-pecador aos vértices mais sublimes da união com Deus – recordemo-nos de Santa Maria Madalena – mediante uma graça que transforma interiormente, e comunica paz e edificação; ela não encoraja o pecado nem contradiz suas próprias advertências.

Gratuita, suspeita, nefasta. A teoria da iluminação final não tem a menor chance de ser verdadeira. É necessário esquecer bem depressa essa invenção dos homens acerca de realidades que lhes escapam totalmente e que eles não poderiam conhecer senão por Revelação divina. Mais vale converter-se do que se tranquilizar, mais vale rogar pelos pecadores que enganá-los sobre o estado deles. Sejamos instrumentos da verdadeira misericórdia de Deus, não propagadores das falcatruas dos homens.

Tradução por Felipe Coelho.

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