EM DEFESA DO PAPA PIO XII, 2018 | por INTROIBO AD ALTARE DEI

O último Papa antes da Grande Apostasia, Sua Santidade o Papa Pio XII, é um dos pontífices mais injustamente atacados, especialmente entre aqueles que se pretendem “tradicionalistas”. Chegando ao mundo em 2 de março de 1876, Eugênio Pacelli nasceu em uma família devotamente católica. Sentiu-se chamado ao sacerdócio e, na Páscoa, 2 de abril de 1899, foi ordenado. Incrivelmente inteligente, o jovem Padre Pacelli recebeu seu doutorado em teologia em 1904, tendo apenas 28 anos. Seu mentor foi o grande Cardeal Gasparri, a quem ajudou com a codificação da lei da Igreja, promulgada em 1917 pelo Papa Bento XV como o Código de Direito Canônico. Ele também era bom amigo de Rafael Cardeal Merry del Val, o poder por detrás do trono do Papa São Pio X. Foi o Cardeal Merry del Val quem ajudou a dirigir o ataque de São Pio X contra o modernismo. Se tivéssemos um Papa de verdade, creio que o santo e erudito Cardeal teria São precedendo seu nome.

Em 13 de maio de 1917, o mesmo dia em que a Santíssima Virgem apareceu em Fátima, o padre Pacelli, de 41 anos, foi consagrado bispo na Capela Sistina por Sua Santidade o Papa Bento XV, que o designou núncio papal para a Baviera. Em 16 de dezembro de 1929, o Papa Pio XI deu a Mons. Pacelli o barrete cardinalício, e em fevereiro de 1930, meros dois meses depois, promoveu-o à Secretaria de Estado do Vaticano. Essa promoção fez do Cardeal Pacceli um dos dois homens mais poderosos na Igreja depois do Papa em pessoa (a outra posição de poder é Pró-Prefeito da Suprema e Sagrada Congregação do Santo Ofício).

O Papa Pio XI faleceu em 10 de fevereiro de 1939. No conclave a seguir, o Cardeal Pacelli foi eleito Supremo Pontífice em seu sexagésimo terceiro aniversário, após o terceiro escrutínio. Ele tomou o nome de Pio XII em honra a seu predecessor imediato, que o nomeou cardeal e secretário de Estado. O Papa Pio teve sua solene coroação dez dias depois, em 12 de março. Quando a tríplice tiara do Papado foi posta sobre sua cabeça, ele tomou seriamente as palavras que foram ditas por séculos: Recebei vós esta tiara adornada com três coroas e sabeis que és o Pai dos Príncipes e dos Reis, Pastor do Universo, Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra, a quem pertence toda a glória pelos séculos dos séculos. Seu pontificado foi tumultuoso e terminou 19 anos, 7 meses e 7 dias até que ele foi para o seu juízo em 9 de outubro de 1958. Nesta postagem, não defenderei o Papa Pio XII contra os estúpidos ataques daqueles que alegam não ter ele feito o suficiente para salvar os judeus ou que ele foi o Papa de Hitler, ou outras calúnias deste tipo. Há suficiente literatura mundo afora para desmascarar tais mentiras.

O propósito de minha postagem será delinear suas muitas realizações luminosas, e expelir delas as acusações dos Antecipadores de Vacância (aqueles que empurram a vacância da Sé para antes de Roncalli), para aqueles simplesmente equivocados, que creem que o Papa Pio XII foi responsável pela Grande Apostasia, ou alegadamente promulgou mudanças nocivas tais como o jejum eucarístico menor, e os novos ritos da Semana Santa.

Pastor Angelicus

O Papa Pio XII é às vezes pensado como o Pastor Angélico mencionado pela dita Profecia de São Malaquias sobre os Papas. As ditas profecias não têm aprovação magisterial, mas tem tido grande influência nalguns círculos conservadores da Seita do Vaticano II. Contudo, o título do Papa Pacelli é o mais adequado. Aqui está um resumo de algumas de suas maiores realizações teológicas.

Um Papa verdadeiramente mariano

Como um sacerdote, o futuro Papa celebrou sua primeira missa em 3 de abril de 1899, no altar do ícone da Santíssima Virgem Maria sob o título de Salus Populi Romani na Basílica de Santa Maria Maior. Como previamente escrevi, ele foi sagrado bispo no mesmo dia em que Nossa Senhora apareceu em Fátima. Como Papa, em 1940, aprovou as aparições de Fátima como dignas de crença, e em 1942 consagrou todo o mundo ao Imaculado Coração de Maria (recuso-me adentrar em discussões sobre os verdadeiros significados de revelações privadas, e portanto não argumentarei com aqueles que afirmam que ele deveria ter consagrado especificamente a Rússia, como era a marca do “Pe.” Gruner).

O Papa Pio XII alegou ter visto o Milagre do Sol não menos do que quatro vezes. De acordo com os visionários de Fátima, Nossa Senhora disse que haveria um milagre em 13 de outubro de 1917, e então o povo creria. Milhares compareceram ao lugar das visões, e o sol bailou, supostamente secando instantaneamente a terra encharcada de chuva e os espectadores. Pio XII escreveu: Eu vi o Milagre do Sol, esta é a pura verdade.

A nota papal fiz que às 4h da tarde, em 30 de outubro de 1950, durante seu passeio habitual nos jardins do Vaticano, lendo e estudando, tendo chegado à estátua de Nossa Senhora de Lourdes, em direção ao topo da colina, fiquei impressionado por um fenômeno que nunca havia visto antes.

O sol, que estava ainda muito alto, parecia uma pálida e opaca esfera, inteiramente cercada por um círculo luminoso, ele relatou. E poder-se-ia olhar para o sol sem o menor incômodo, havia uma nuvem muito leve à sua frente.

As anotações do Santo Padre continua a descrever a esfera opaca que se moveu ligeiramente para fora, girando ou movendo da esquerda para a direita, mas dentro da esfera se podia ver movimentos marcados com total clareza e sem interrupção.

Para Pio, isso serviu como confirmação de um de seus maiores atos como Papa. Em 1 de novembro de 1950, usando a tiara papal e invocando sua Suprema Autoridade Apostólica como doutor infalível de todos os cristãos, ele declarou ex Cathedra o dogma da Assunção. A Constituição apostólica Munificentissimus Deus declara:

Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.

O texto da Constituição Apostólica foi esquematizado por um eminente teólogo, Pe. Michel-Louis Guérard des Lauriers, um dos primeiros sedevacantistas, que foi sagrado bispo em 1981 pelo Arcebispo Thuc.

Inimigo do Comunismo

O Papa Pio XII foi fortemente anticomunista. Em 1 de julho de 1949, o Santo Ofício publicou um decreto, aprovado por Sua Santidade, declarando apóstatas todos os católicos que se fizessem comunistas.

Decreto do Santo Ofício formulado sob Pio XII, 1 de julho de 1949

Esta Suprema e Sacra Congregação foi consultada sobre as seguintes questões:

1. Se é lícito se juntar aos partidos comunistas ou sufragar a seu favor;

2. Se é lícito publicar, disseminar ou ler livros, periódicos, jornais ou panfletos que defendem a doutrina ou ação dos comunistas, ou escrever neles;

3. Se os fiéis que, tendo conhecimento de causa, por livre vontade praticam os atos especificados nas questões 1 e 2 podem ser admitidos aos sacramentos;

4. Se os fiéis que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e particularmente aqueles que defendem e propagam essa doutrina, caem ipso facto sob a pena de excomunhão especialmente reservada à Sé Apostólica como apóstatas da fé católica.

Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Padres encarregados da supervisão das matérias concernentes à guarda as fé e da moral, tendo previamente ouvido a opinião dos Reverendos Senhores Consultores, decreta em sessão plenária realizada na terça-feira (em lugar de quarta-feira), dia 28 de junho de 1949, que as respostas devem ser as seguintes:

1. Negativo. Porque o comunismo é materialista e anticristão, e os líderes dos comunistas, conquanto às vezes professem em palavras que não se opõem à religião, de fato se mostram, tanto em seus ensinamentos quanto em suas ações, inimigos de Deus, da verdadeira religião e da Igreja de Cristo;

2. Negativo. Estão proibidos ipso iure (cf. Cânon 1299 do Codex Iuris Canonici);

3. Negativo. De acordo com os princípios ordinários sobre a recusa dos sacramentos àqueles que não estão com as devidas disposições;

4. Afirmativo. Na próxima quinta-feira, trigésimo dia do mesmo mês do mesmo ano, nosso santíssimo Senhor Pio XII, Papa pela Divina Providência, em audiência ordinária concedida ao Reverendíssimo e Eminentíssimo Assessor do Santo Ofício, aprovou a decisão que lhe fora comunicada pelos Eminentíssimos Padres e ordenou que fosse promulgada oficialmente na Acta Apostolicae Sedis.

Dado em Roma, 1 de julho de 1949.

Petrus Vigorita,

Notário da Suprema e Sacra Congregação do Santo Ofício.

Em outra dubium (questão respondida) datada de 4 de abril de 1959, o Santo Ofício torna as provisões do decreto de 1949 mais específicas, estabelecendo que implicam uma proibição de votar em partidos que ajudam comunistas, mesmo se tais partidos tenham doutrinas inofensivas ou mesmo qualifiquem-se cristãos.

Condenação de erros modernos

Uma das maiores encíclicas do século XX foi Humani Generis, sobre algumas falsas opiniões que ameaçam minar os fundamentos da Doutrina Católica, que foi promulgada em 12 de agosto de 1950. Foi esquematizada pelo teólogo dominicano Reginald Garrigou-Lagrange. Seus pontos salientes incluem:

  1. Encíclicas usualmente tratam de matérias já expostas na doutrina, entretanto, se o Papa emitir supremo julgamento sobre uma matéria disputada, a matéria deve ser considerada fechada para disputa.
  2. A Divina Revelação foi dada por Deus como guia para a Igreja exercer sua autoridade viva de ensino, não para interpretação determinística privada.
  3. Alguns disputam a autoridade divina da Escritura em parte ou no seu todo e a interpretam tendo por base a exegese, procurando significados ocultos em lugar do ensinamento da Igreja.
  4. Eles afirmam que uma nova exegese do Velho Testamento substituiria as dificuldades literais pela verdade simbólica e espiritual.
  5. Afirmam o oposto das normas de interpretação explicitadas em encíclicas prévias.
  6. Dúvida sobre as verdades reveladas é um resultado de nosso modo de pensar (Criação por amor, conhecimento eterno de Deus das livres escolhas dos homens, etc.)
  7. Anjos, essência, ordem sobrenatural, pecado original, pecado em geral, eficácia do Sacrifício de Cristo, ou todos debatidos.
  8. A necessidade e o valor da Igreja e da própria fé é questionada.
  9. Tais erros estão sendo apontados porque alguns teólogos católicos estão cometendo-os e aqui são censurados.
  10.  A Igreja confia na razão para entender a fé, a lei de Deus, os mistérios e até mesmo a existência de Deus. A razão vem com o treinamento e leva à verdade.
  11.  A autoridade do ensino cobre somente as questões de fé e moral. A “nova” verdade não pode derrubar a verdade estabelecida, mas pode corrigir erros.
  12.  Padres devem aprender filosofia e o método de Santo Tomás é testado e verdadeiro.
  13.  Oponentes afirmam que a filosofia tradicional usada pela igreja é adequada para a instrução básica, mas não para aplicação prática, e que todas as outras filosofias, embora em evolução, são ultimamente compatíveis com o Catolicismo.
  14.  Teodiceia e ética (ciências filosóficas) são ameaçadas pelas novas opiniões. Não somente elas são desprezadas, mas também a proteção provida pela autoridade de ensino da Igreja.
  15.  Discussão sobre teorias não ainda provadas cientificamente, mas meramente hipotetizadas, devem seguir. Teorias podem somente ser consideradas se não se opõem ao ensinamento da Igreja.
  16.  A evolução humana (origem o homem da matéria pré-existente e viva) pode ser discutida, mas não pode contradizer que Deus é o criador imediato das almas.
  17.  Poligenismo é irreconciliável com a doutrina do pecado original.
  18.  Os primeiros onze capítulos do Gênesis talvez não se encaixem ao conceito moderno de História, mas qualquer inclusão folclórica foi feita sob inspiração divina.
  19.  Assim, não são mitos imaginários, mas expressões da verdade. Os antigos autores sagrados eram claramente superiores aos autores seculares (profanos) do mesmo período.

Assim, ao condenar os erros modernos, o Papa Pio XII foi cuidadoso ao permitir a discussão sobre a evolução do corpo humano, e uma interpretação não literal do Gênesis em certos casos (ideia que foi adiantada por São Pio X).

Desenvolvimento da eclesiologia tradicional e defesa da Missa

Em sua grande encíclica Mystici Corporis (1943), Sua Santidade ensina que somente uma verdadeira Igreja é o Corpo Místico de Cristo na terra. Isso torna claro que a Igreja de Cristo não é uma mera comunidade de crentes (como dizem os protestantes), mas é idêntica à Igreja Católica Romana. Esse ensinamento seria repudiado pela falsa eclesiologia do Povo de Deus no Vaticano II, segundo a qual a Igreja de Cristo não é idêntica à Igreja Católica, mas meramente subsiste nela em sua plenitude, podendo bem ser encontrada nas seitas.

Na encíclica Mediator Dei, o Papa, como se visse o ano de 1969 e a Missa Novus Bogus, condenou aqueles que, sob o pretexto de retornar aos velhos tempos, fariam mudanças ilícitas e radicais na Missa, com as seguintes palavras:

É certamente coisa sábia e muito louvável retornar com a inteligência e com a alma às fontes da sagrada liturgia, porque o seu estudo, reportando-se às origens, auxilia não pouco a compreender o significado das festas e a penetrar com maior profundidade e agudeza o sentido das cerimônias, mas não é certamente coisa tão sábia e louvável reduzir tudo e de qualquer modo ao antigo. Assim, para dar um exemplo, está fora do caminho quem quer restituir ao altar a antiga forma de mesaquem quer eliminar dos paramentos litúrgicos a cor negraquem quer excluir dos templos as imagens e as estátuas sagradasquem quer suprimir na representação do Redentor crucificado as dores acérrimas por ele sofridasquem repudia e reprova o canto polifônico, ainda quando conforme às normas emanadas da santa sé. (grifos do autor)

O grande ato de meu pontificado

Próximo da morte, quando refletiu sobre tudo que fez, considerou um ato o maior de todos os atos de seu pontificado. Qual seria? Em 29 de maio de 1954, quando canonizou seu predecessor, o Papa Pio X, e elevou o Inimigo do Modernismo para junto dos santos da Igreja!

Críticas injustas

Com todas as coisas grandes que este Papa fez, como pode ser tão duramente criticado? Ele foi um teólogo que admirava e se cercava de antimodernistas. Listarei as críticas que ouço com mais frequência, e devotarei uma seção separada aos ritos reformados da Semana Santa.

  • O Papa Pio XII foi leniente com o modernismo. Isso quer dizer que ele não reprimiu os teólogos modernistas como deveria tê-los reprimido, e promoveu heréticos como Roncalli e Montini. Em primeiro lugar, não há nada que proteja um Papa de fazer escolhas erradas ao escolher quem eleva ao cardinalato ou designa para o episcopado. Sendo Montini e Roncalli suspeitos de modernismo, a palavra suspeito significa que não culpado ainda. Seu confessor, Cardeal Bea, pode tê-lo convencido de que estavam reabilitados. Bea foi uma verdadeira serpente na grama; um modernista escondido acima de qualquer suspeita até que veio à luz no Vaticano II. Quase todo mundo (infelizmente) já não foi enganado por alguém de confiança de sua família? Isso de algum modo lança dúvidas sobre seu caráter? Fez Pio XII escolhas más em suas designações? Objetivamente, sim, mas subjetivamente não podemos conhecer todas as razões. É outro caso de erro de jogador. A calúnia de que Pio XII conhecia certos fatos sobre o clero e deliberadamente elevou-os está no mesmo nível daquela dita pelos judeus que o acusam de sabidamente e deliberadamente ajudar a Hitler.
  • Pio XII elogiou as Nações Unidas Maçônicas. De fato, ele anunciou (1953) o princípio sólido que devia guiar esse organismo: Dentro dos limites do possível e do lícito, promover tudo que facilite a união e a faça mais efetiva, levantar diques contra qualquer coisa que a perturbe, tolerar, por vezes, o que é impossível corrigir, mas, por outro lado, não permitir que se leve ao naufrágio a comunidade dos povos, pelo bem maior que se espera dela. Os detratores de Sua Santidade nunca mencionam isso, ou o fato de que ele nunca elogiou a maçonaria ou os ideais maçônicos.
  • Pio XII modificou o jejum eucarístico. Sim, ele o fez, e (a) tinha todo direito de fazê-lo como Supremo Legislador, e (b) tinha uma boa razão para isso. Com a crescente secularização do mundo, as pessoas tinham de trabalhar nos dias santos de obrigação, e às vezes aos domingos (policiais, médicos, etc), sendo cada vez mais difícil tirar folga e pagar as despesas das suas famílias. Elas tinham de perder a Missa e rezar um rosário extra à noite ou ler devotamente o seu missal. O Papa, portanto, permitiu as missas noturnas. O antigo jejum começava à meia-noite. Se eu estivesse trabalhando e a capela tradicionalista mais próxima tivesse uma missa às 8h da noite, eu teria de passar vinte horas sem comida. Muitas pessoas, devido à enfermidade, idade avançada, ou à necessidade de ter força para trabalhar (especialmente trabalhos manuais) não poderiam fazer isso. Elas teriam de ir à Missa e se abster da Comunhão, ou arriscar sua saúde e seu desempenho laboral. Pelo decreto Sacra Tridentina Synodus (1905), o Papa São Pio X encorajou a comunhão frequente, não como um prêmio para os justos, mas como um remédio para o pecado. Disse o Santo: A Santa Comunhão é o caminho mais curto e seguro para o céu. Ao mitigar o jejum para três horas antes da comunhão (água e remédios não quebram o jejum e podem ser tomados a qualquer hora), o Papa Pio XII assegurou que a vontade de seu predecessor seria mantida. Eu concordo com alguns dos meus leitores que dizem que, se você pode fazê-lo sem arriscar sua saúde ou ocupação, o jejum da meia-noite deve ser voluntariamente tomado como penitência. Aqueles que não podem fazê-lo (como minha agora falecida mãe, que foi enferma a maior parte de sua vida), não devem ter receio de tirar proveito do jejum reformado.
  • O Papa Pio XII mudou algumas festas e fez algumas mudanças nas rubricas da Missa.Como disse acima, sim, ele o fez, e tinha todo direito de fazê-lo como Supremo Legislador. Ele instituiu a Festa do Imaculado Coração de Maria (22 de agosto) e da Realeza de Maria (31 de maio). No dia 1 de Maio, dia usado pelos comunistas como Dia de Maio para mostrar o poder do Marxismo, o Papa estabeleceu a festa de São José Operário. Aqui ele nos mostra claramente a compreensão adequada do trabalho exemplificado por São José como oposto ao sistema maligno de Karl Marx. Pelo decreto Cum hac nostra aetate (23 de março de 1955), ele ligeiramente modificou a classificação das festas, eliminou algumas oitavas e suprimiu o último Evangelho próprio pelo usual último Evangelho de São João.

Nada do que foi dito acima o torna um promotor da heresia ou do mal. A seção a seguir trata do mais controverso aspecto de seu pontificado (somente controverso, posso dizer, após o Vaticano II) e criticado por alguns tradicionalistas, o rito reformado da Semana Santa.

Os Novos Ritos da Semana Santa

Em 19 de novembro de 1955, o Papa Pio XII emitiu o decreto Maxima Redemptionis, por um rito revisado da Semana Santa, que entraria em vigor em 1956 (Em 1951, a Vigília da Páscoa foi alterada experimentalmente, e tornada oficial em 1956). Existem alguns clérigos tradicionalistas que sustentam a obrigatoriedade dos novos ritos. Enquanto outros sustentam que os ritos cessaram de sê-lo porque se tornaram “nocivos” depois de um tempo de modo que o Papa Pio XII não poderia ter previsto. Eles usam os ritos pré-Pio XII. Como não possuo autoridade magisterial, e não sou um teólogo, não posso resolver o problema. O que todos concordam, como eu, é que as reformas do Papa Pio XII são tão boas e católicas quanto a antiga Semana Santa. Cessaram os ritos reformados sua obrigatoriedade? Não pelas razões dadas por aqueles que os rejeitam. Eu acredito que em determinado caso podem ser usados os antigos ritos. Eu assisto a ambos sem qualquer problema. Prefiro os ritos antigos, mas isso é apenas uma preferência. Então enquanto penso em que caso podem ser usados os ritos antigos, acredito que os melhores argumentos estão do lado daqueles que usam os ritos reformados como obrigatórios. Trago minhas razões abaixo:

  1. Os ritos foram promulgados por um verdadeiro Papa. Nenhum clérigo tradicionalista nega a legitimidade do Papa Pio XII. Alguns tradicionalistas leigos puseram seu pontificado em questão, Antecipadores de Vacância como Michael Bizzaro. Seus argumentos não valem nada, e os clérigos o sabem.
  2. A Igreja é infalível em suas leis disciplinares universais. De acordo com o teólogo Van Noort, A Infalibilidade da Igreja se estende à disciplina geral… Ela nunca poderá sancionar uma lei universal que esteja em desacordo com a fé ou com a moralidade, ou que por sua própria natureza conduza à perdição das almas… A infalibilidade da Igreja se estende à disciplina gera, pelo termo disciplina geral da Igreja são designadas aquelas leis eclesiásticas emitidas para direção da adoração cristã e da vida cristã (Teologia Dogmática, 2: 114-115, grifo do autor). De acordo com o teólogo Hermann, a Igreja é infalível em sua disciplina geral. Pelo termo disciplina geral entendemos a leis e práticas que pertencem à ordem externa de toda a Igreja. Tais coisas poderiam ser aquelas que concernem a adoração externa, como a liturgia e as rubricas, ou a administração dos sacramentos… (Institutiones Theologiae Dogmaticae  1:258) Portanto, os ritos reformados da Semana Santa são garantidos como santos e ortodoxos.
  3. Os ritos reformados tem algumas melhorias óbvias. O Papa Pio XII permitiu que o horário das cerimônias fosse mais tarde, para que mais pessoas participassem e estivessem alinhadas com o horário de quando eles realmente ocorreram (Sexta-Feira Santa à tarde, Quinta-Feira Santa à noite), e permitiu que Nosso Senhor fosse recebido na Sagrada Comunhão na Sexta-Feira Santa. Também alongou o fim do jejum e da abstinência até a meia-noite do Sábado Santo, em vez do meio-dia.  Então por que a rejeição de alguns clérigos? Pe. Anthony Cekada escreveu sobre isso extensivamente, e recentemente faz uma mudança na conclusão de seus argumentos em um vídeo. Ele (e outros) argumentou:
  4. Os ritos introduziram mudanças que se tornaram nocivas ao longo do tempo. Para ler o argumento em sua integridade, acesse: http://www.traditionalmass.org/images/articles/P12MoreLegal.pdf. Pe. Cekada lista certos falsos princípios e práticas, tais como: o vernáculo pode ser uma parte integrante da liturgia, o papel do sacerdote é reduzido, a participação dos leigos deve ser idealmente vocal, etc. Isso foi incorporado ao Novus Bogus de 1969. Se um princípio é errado, ele é sempre errado, não se torna errado. Se o vernáculo não pudesse jamais ser parte integrante a liturgia, então era errado quando o Papa Pio XII o introduziu, o que é impossível, a menos que você queira dizer que ele não foi Papa. A aplicação do princípio pode ser errada, mas não o princípio em si mesmo. Portanto, não havia nada que pudesse se tornar nocivo. Para usar uma analogia, rezar aos santos é bom e louvável. Certos heréticos anglicanos da Alta Igreja oferecem sua inválida e herética liturgia em honra a São Tomás More como Mártir da Reforma (sic). A desonra de São Tomás More por uma falsa liturgia que o equivale a outros que foram protestantes de nenhum modo derroga o princípio de que rezar aos santos é bom, e torna o ato de honrar São Tomás More de alguma maneira nocivo por causa do que alguns heréticos têm feito.
  5. Annibale Bugnini era um maçom e estava por detrás das mudanças. Isso não importa. Se Pio XII era Papa, o Espírito Santo o protegeu em tudo que fez na liturgia. Bugnini pode dizer que 2+2=4 e ele não está automaticamente errado por ser um maçom. Ele estava estabelecendo princípios verdadeiros que poderiam ser mal aplicados mais tarde. Isso não os torna, per se, maus, e o Pe. Cekada concorda que não são maus em si mesmos.
  6. As mudanças levaram à Nova Missa de 1969. Não. Eu acredito que as mudanças eram transitórias e levavam a uma forma diferente de Missa que combateria o modernismo. O que esse produto final deveria parecer, eu não tenho a menor ideia. São Pio X e Pio XII estavam pedindo e trabalhando para reformar a liturgia. São Pio X inicia com Divino Afflatu em 1 de novembro de 1911. Um ano após a mudança, Pio XII declarou: Os fiéis devem buscar na Escritura, na Tradição e na Sagrada Liturgia como em uma fonte pura e imaculada… (Haurietis Aquas, 15 de maio de 1956; a verdadeira Missa será sempre intocada mesmo quando as mudanças são feitas pelo Papa, porque são operação do Espírito Santo). Isso não era levar à cerimônia maçônica de pão e vinho como no Novus Bogus. Os modernistas sequestraram o movimento litúrgico começando com Roncalli.
  7. Ao usar o rito reformado da Semana Santa, damos credibilidade à mentira de Montini (Paulo VI). Em um vídeo, o Pe. Cekada mudou ligeiramente o seu argumento. No vídeo, ele faz uma viagem no tempo para ter uma audiência com o Papa Pio XII. Pe. Cekada concede que as mudanças feitas não eram heréticas ou más, mas uma vez que que Montini afirmava que elas estavam na primeira etapa por detrás da “Missa” Novus Bogus, elas não deveriam prosseguir sendo usadas porque dão credibilidade a essa noção. Pio concorda, e o Pe. Cekada retorna a 2018. O vídeo pode ser assistido aqui: https://www.youtube.com/watch?v=vmsEOsohZKM. De fato, o argumento funciona no sentido exatamente oposto do pretendido pelo Pe. Cekada. Uma vez que as reformas do Papa Pio XII não são a primeira etapa para a Nova Missa, Montini mentiu (nenhuma surpresa aqui). Pela recusa em usar tais reformas faz com que a rejeição pareça proceder do fato de que elas foram a primeira etapa para a Missa Novus Bogus. Por que mais você as rejeitaria?
  8. Não podemos estar certos de que Roncalli (João XXIII) e Montini (Paulo VI) não eram verdadeiros Papas (pelo menos até 1964), então você não pode recusar aplicar as mudanças deles se aceitar as mudanças de Pio XII. Para o clero e para os fiéis entre 1959 e 1964, isso poderia ser verdade. Entretanto, desde então, nós temos boas razões para dúvidas da validade das eleições de Roncalli e de Montini, sob vários aspectos. Como o teólogo Szal explica: Não há nenhum cisma se alguém meramente transgride uma lei papal por considerá-la muito difícil ou porque recusa obediência na medida em que suspeita da pessoa do Papa ou da validade de sua eleição, ou se alguém resiste a ele enquanto cabeça civil de um Estado (The communication of Catholics with Scismatics, CUA Press, 1948, p. 2, grifo do autor). Uma vez que podemos suspeitar das eleições de Roncalli e Montini, podemos seguramente desconsiderar suas “leis” em qualquer momento. Não é assim com Pio XII.
  9. Homens leigos não entendem dessas matérias como o clero, então não têm nenhuma razão para discuti-los. Este argumento é, na melhor das hipóteses, fátuo. Na ausência de um Papa, que clérigo tradicionalista os leigos seguem quando discordam sobre um ponto disputado de teologia? Neste tempo de Grande Apostasia, não podemos pendurar nossos cérebros na porta [como se faz com casacos]. Além disso, recebi a Sagrada Comunhão das mãos de meu pai espiritual, Pe. Gommar DePauw, na Sexta-Feira-Santa por anos, como ele explicou as mudanças do Papa Pio XII. Pe. DePauw foi ordenado em1942, foi um canonista aprovado antes do Vaticano II (doutorado em Direito Canônico em 1955 pela Universidade Católica da América), e um perito no Vaticano II que lutou contra os modernistas. Ele foi um professor de seminário para a Arquidiocese de Baltimore(1955-1962), e foi o primeiro a publicamente enfrentar a Seita do Vaticano II em 1964. Eu adoraria que o Pe.Cekada, ou qualquer outro padre tradicionalista, pudesse me dizer com seriedade que ele “não entendia” as complexidades das rubricas e tudo o que isso implicada!

Que o rito reformado não fosse permanente, e que não saibamos se ele estava se encaminhando de modo verdadeiramente ortodoxo, em minha opinião, poderia talvez justificar o uso dos antigos ritos. Não condeno (nem poderia) a SSPV ou o Pe. Cekada por usá-los. Entretanto, os ritos reformados são bons e santos, como os antigos. Ninguém deve afirmar que os ritos antigos são “livres de Bugnini” como se os ritos reformados do Papa Pio XII fossem obra de Bugnini e não protegidos pelo Espírito Santo. Alguém pode ter uma preferência, mas isto é tudo que é: uma preferência. A CMRI tem uma posição muito mais forte de que os ritos devem ser considerados obrigatórios. Finalmente, deve-se ter cautela ao invocar epiquéia, como os teólogos McHugh e Callan apontam:

Há o perigo de alguém estar errado ao julgar que o legislador não queria incluir um caso sob sua lei. Se isso não for certo, deve-se investigar o melhor possível e recorrer, se possível, ao legislador ou ao seu representante para uma declaração ou dispensa. Nunca é lícito usar epiquéia sem certeza razoável de que o legislador não desejaria que a lei fosse aplicada aqui e agora. (Moral Theology 1:141)

Conclusão

O Papa Pio XII foi um bom e santo pontífice. Ele tem sido atacado injustamente à esquerda pelos judeus e injustamente à direita por certos tradicionalistas (e por aqueles lunáticos que chamam a si mesmos “tradicionalistas”). Nós precisamos de mais unidade e menos diversidade na medida em que lutamos para fazer nosso caminho católico nestes tempos perigosos. O caos começou após a morte do Papa Pacelli em 9 de outubro de 1958. Eu diria que é uma boa data para reter tudo no lugar em que estava e para rejeitar tudo que veio depois, até que tenhamos um novo Papa ou que Nosso Senhor retorne em glória.

Trad. por Marcos Peinado, do original “In Defense of Pope Pius XII“, do blog Introibo Ad Altare Dei.

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