UM COMENTÁRIO RESPEITOSO À PUBLICAÇÃO DE DOM TOMÁS

No dia 30 de julho, Sua Excelência Reverendíssima Dom Tomás de Aquino – prior do Mosteiro da Santa Cruz, localizado em Nova Friburgo, RJ –, por quem guardo grande estima e carinho, escreveu uma breve publicação intitulada “Voz de Fátima, Voz de Deus”, no caso, o Número 70. Não posso negar que ele sempre foi carinhoso e atencioso comigo quando o solicitei. Apesar de hoje divergir num ponto grave, Dom Tomás sempre terá o meu respeito. Aqui tentarei comentar da forma mais respeitosa possível.

Segundo Dom Tomás, a finalidade das publicações “Voz de Fátima, Voz de Deus” seria “dar a nossos fiéis o alimento da doutrina”. Infelizmente sua primeira publicação desde que as interrompeu no final de dezembro de 2018 foi um tanto, digamos, problemática. Vou aqui comentar respeitosamente, como disse, as partes que julgo mais relevantes, visto que a publicação de hoje nos toca:

As questões que me parecem mais perturbar os fiéis neste momento são as questões do sedevacantismo e a da Fraternidade.

O Bispo da Resistência Católica não negou aqui também, a meu ver, a sua própria perturbação. Como veremos logo em seguida, ele não quis aprofundar muito a questão logo. Evidente que sei que numa publicação assim, nem sequer há tal intenção. Dom Tomás vai querer dar a resposta mais breve possível de forma retórica para afastar o interesse do fiel no assunto. Sobre a Fraternidade (FSSPX), comentarei depois.

Sobre o sedevacantismo, diremos apenas que os teólogos não estão de acordo entre si. Caetano, João de Santo Tomás, São Roberto Belarmino, Suarez, Bañez, Billuart e vários outros não estão de acordo entre si. A Igreja não deu razão nem a uns nem a outros. A prudência nos faz tomar a mesma posição que a Santa Madre Igreja. Foi o que fez Dom Lefebvre. É o que nós queremos fazer. Voltaremos ao assunto em outro Voz de Fátima.

O leitor pode ver que se limitou a citar teólogos do passado dizendo que não estão de acordo entre si e diz que a posição de Dom Lefebvre é a posição da Igreja. Demonstrarei em outra oportunidade que não é. Fora que os canonistas pós-Concílio do Vaticano são praticamente unânimes em dizer que um papa herético perde seu cargo ipso facto (cf: BREVE ESTUDO SOBRE O PAPA HERÉTICO SEGUNDO SÃO ROBERTO BELARMINO). Ademais, nenhum desses teólogos defende a resistência pública, sistemática e habitual ao magistério e às disciplinas ensinadas e promulgadas pelo Romano Pontífice. Dependendo do que será publicado noutro Voz de Fátima, isso será aprofundado se Deus permitir.

Quanto à Fraternidade e à Resistência, só temos a assinalar que a Resistência nasceu de uma oposição à política dos acordos de Dom Fellay e de seus assistentes: Pe. Pfluger e Pe. Alain Nély. Esta política é uma política suicidária e contrária ao que fez e aconselhou Dom Lefebvre, pois ela tende a pôr-nos sob a autoridade de homens que não professam a integridade da Fé católica.

Isso nos remete ao sedevacantismo. Se a FSSPX está errada em se submeter à autoridade de homens que não professam a fé católica (o que evidentemente estamos de acordo nisso), será que podemos dizer que a Resistência está correta em se negar a se submeter à hierarquia que eles próprios reconhecem como legítima? Aqui proponho a Sua Excelência uma reflexão mais aprofundada porque me parece estranha essa proposta. Porque realmente não poderia crer que uma hierarquia que não professa a fé católica possa ter qualquer autoridade na Igreja como ensina Leão XIII (Cf: Carta Encíclica Satis Cognitum).

O que resta hoje na Fraternidade da influência desta política? Eis o ponto central da questão. Roma observa e procura marcar pontos neste combate contra a Tradição. Sem a Resistência, a Fraternidade teria, talvez, ido mais longe. Em 2012, tudo o que estava sendo feito para os acordos foi interrompido. A carta dos três bispos (Dom Williamson, Dom Tissier e Dom de Galarreta) a Dom Fellay e seus assistentes, bem como a reação de vários padres e de algumas comunidades religiosas, tiveram certamente o efeito de desacelerar ou até mesmo de paralisar as negociações.

O problema é que se Dom Fellay reconhecia Bento XVI como papa na época e Francisco hoje, nada mais coerente. Dom Tomás deveria aqui perceber que pela lógica, Dom Fellay e congregações dissidentes que buscaram acordo com Roma (como IBP, FSSP, etc) reconhecem essas autoridades, fizeram o certo. O que é estranha é a proposta de Dom Tomás, tal como o de Dom Williamson, que não quer nada, nenhum acordo, com Roma ao mesmo tempo que reconhece a sua hierarquia. Todavia, isso implica um problema grave, pois a tese da Resistência, tal como a do “magistério liberal” do Pe. Álvaro Calderón, uma verdadeira defecção do Magistério e uma negação prática da indefectibilidade da Igreja. Isso merece ser tratado mais detidamente em outra oportunidade.

Assim, proponho uma profunda reflexão por parte dos meus leitores que se simpatizam com a Resistência. Digo que, tal como vocês e mesmo Dom Tomás, que não me oponho à Resistência em si mesma no sentido de que devemos sim nos opor às inovações não católicas do Concílio Vaticano II (cf: AS PRINCIPAIS HERESIAS E OUTROS ERROS DO VATICANO II), tal como ao rito novus ordo, pois sei que tudo isso destrói a nossa fé. O que proponho é refletir se se essas inovações do Concílio Vaticano II não são católicas, isto é, se a sua doutrina é herética, se o rito novus ordo não é um rito católico, nada disso vem da Igreja Católica. Logo, faz sentido reconhecer Francisco e seus predecessores até João XXIIII como papas e os ditos bispos diocesanos como verdadeiros bispos?

Seria interessante Dom Tomás  e outros fiéis refletirem sobre isso. Se não seria melhor, pelo bem e a exaltação da Santa Igreja e para o bem da doutrina do Papado, rejeitar a legitimidade desses falsos pastores da hierarquia que se apresenta como a oficial. Praticamente é apenas isso o que nos separa e temos muito em comum. Não quero aqui propor um diálogo ao modo do Vaticano II, mas desejo ardentemente um diálogo visando a unidade na verdadeira Igreja, a concórdia na Doutrina. 

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