QUESTÃO DISPUTADA: O ROCK É DIABÓLICO?

PARECE que o rock não é diabólico.

PRIMEIRO, porque o rock parece ser um gênero de música. Ora, se é assim, as músicas do rock são obras musicais que podem ser ou não diabólicas tal como há músicas diabólicas também antes do surgimento do rock. Ademais, pinturas, obras literárias, esculturas etc, também podem ser diabólicas ou não. Assim, o rock não é diabólico.

ADEMAIS, seguindo a objeção anterior, há muitas composições piedosas e outras, mesmo não sendo piedosas mas nem tampouco exaltando a Satanás, existem músicas inocentes que respeitam as regras da boa música. Para dar um bom exemplo dentre outros, cito aqui “Yesterday” do The Beatles. Logo, o rock não é diabólico, longe disso.

ADEMAIS, muitos roqueiros se declararam católicos, como Zakk Wylde e dentre outros. Sendo assim, o rock não poderia ser chamado de diabólico, mas muito pelo contrário, com sua popularidade poderia até se tornar um instrumento de evangelização. Basta lembrar a música “Miracle of the Rosary”, cantada por Elvis Presley.

ADEMAIS, se o rock pode servir para difundir pensamentos diabólicos por isso devemos considerá-lo diabólico, o mesmo deveríamos dizer das músicas eruditas, como foi com Tartini, cuja uma das músicas teve fama de diabólica. Se o rock é diabólico por isso, a música erudita também deveria ser. Ora, a música erudita não é diabólica, logo, o rock também não.

MAS CONTRARIAMENTE, diz Raul Seixas, um dos maiores expoentes do rock brasileiro: “o Diabo é o pai do rock”.

RESPONDO que o rock é o gênero musical satânico por excelência e isso se prova pelo fato de ser o principal veículo de não somente ideias revolucionárias como também o modo de vida e a corrupção de afetos por meio de suas composições instrumentais. Assim, divido o argumento contra o rock em três partes: primeiro, as canções do rock são majoritariamente imorais e isso proíbe totalmente o católico de ouví-las sob pena de pecado mortal por ofender os bons costumes, a religião, exaltar o mundanismo e, em última instância, exaltar o diabo. Segundo, porque o rock possui em si mesmo uma estrutura totalmente revolucionária que serve justamente para comunicar uma nova concepção de mundo, em que a rebelião é elogiada e a submissão reprovada e isso se demonstra apenas com a observação dos costumes dos roqueiros e tal modo de vida se opõe radicalmente ao modo de vida católico. Por fim, a desordem das paixões causadas pela inversão dos elementos musicais do rock. A esmagadora maioria das canções do rock, salvo raríssimas exceções (como “Hey Jude” do The Beatles).

Para demonstrar o primeiro ponto, podemos fazê-lo analisando, por exemplo, a canção “Hells Bells”, do AC/DC, que é a primeira faixa do álbum “Back in Black”, que é até hoje o segundo álbum mais vendido da história da indústria fonográfica:

I’ll give you black sensations up and down your spine

Eu vou te dar sensações negras para cima e para baixo em sua espinha

If you’re into evil, you’re a friend of mine

Se você gosta do mal, você é um amigo meu

See the white light flashing as I split the night

Veja a luz branca piscando enquanto eu divido a noite

‘Cos if good’s on the left, then I’m sticking to the right

Porque se o bem está à esquerda, então, eu estou aderindo à direita

I won’t take no prisoners, won’t spare no lives

Eu não vou fazer prisioneiros, não pouparei vidas

Nobody’s puttin’ up a fight

Ninguém está brigando

I got my bell, I’m gonna take you to hell

Eu tenho meu sino, eu vou te levar para o inferno

I’m gonna get ya, Satan get ya

Eu vou te pegar, Satanás te pega

Não precisa ser um especialista em teologia moral para ver que escutar ou, pior, fazer outros escutarem uma canção dessas é pecado de matéria grave por escândalo e isso concluímos consultando, por exemplo, mesmo um manual de autor não tradicionalista, como Pe. Antonio Royo Marín, que escreve:

São gravemente escandalosos os espetáculos em que se representam coisas notavelmente obscenas, ou nos quais aparecem pessoas seminuas, ou se dizem coisas altamente provocativas, piadas ou músicas indecentes etc., ou se ridicularizam os bons costumes, ou se preconiza o vício da imoralidade. […] Cometem grave pecado de escândalo os compositores da letra e música, as empresas que os representam em seus salões, os atores que atuam neles e os que contribuem com seu dinheiro e aplauso para sustentar esses espetáculos. E pecam os que assistem a eles sabendo de sua imoralidade ou periculosidade. Se animam outros a fazer o mesmo, são réus de grave escândalo (ANTONIO ROYO MARÍN; Teología Moral para Seglares, 4.ª ed., Madrid: BAC, 1973, vol. 1, p. 417).

O que se aplica aos espetáculos (teatro e cinema) evidentemente se aplica às músicas. Músicas do rock são majoritariamente imorais, preconizam os vícios, zombam dos bons costumes, da religião e cultuam a Satanás de forma velada ou não.

Algum objetor dirá que basta músicas mais inocentes. Porém isso também é problemático porque mesmo as músicas que não explicitam exatamente a imoralidade, ainda tem outros problemas porque exaltam ainda o comportamento mundano e soberbo. Peguemos o exemplo de uma estrofe da canção “My Way” do Frank Sinatra:

For what is a man, what has he got,

Pois o que é um homem, o que ele tem,

If not himself, then he has not

Se não ele mesmo, então ele não

To say the things he truly feels,

Para dizer as coisas que ele realmente sente,

And not the words of one who kneels.

E não as palavras de alguém que ajoelha-se.

Eis aqui uma verdadeira exaltação ao non serviam luciferino. Além dessa estrofe,  já perto do final, vemos ao longo de toda a letra que a música toda exalta a soberba, mas bela voz do Frank Sinatra somada com sua melodia melosa tornam isso quase imperceptível mesmo para os anglófonos.

O rock se mostra uma inversão total da arte. A arte, mesmo as artes do belo como a Música, tem por fim o bem e esse bem deve ser um bem objetivo e não o bem subjetivo que pode conflitar com o objetivo. O fim último do homem é a beatitude eterna com Deus e para tal é necessária a retidão da vontade como diz Santo Tomás de Aquino:

A retidão da vontade é necessária para a beatitude, tanto antecedente como concomitante. — Antecedentemente, por que tal retidão supõe a ordem devida em relação ao último fim. Ora, o fim está para o que se lhe ordena como a forma, para a matéria. Por onde, como esta não pode conseguir aquela, se para ela não estiver disposta de certo modo; assim nada consegue o fim sem estar para ele ordenado de certo modo. E, portanto, ninguém pode chegar à beatitude sem a retidão da vontade (S.Th. I-II, q. 4, a. 4, resp.).

O que o rock faz é deformar a vontade invertendo a ordem dos elementos musicais quando o ritmo se sobressai mais que a melodia e harmonia. Seria como, analogamente, o homem vivesse mais para satisfazer o corpo do que a alma. Colocando o ritmo acima da melodia, vemos que o intelectivo está abaixo do sensível. O que importa é a satisfação sensível, não mais o bem honesto. Se o bem honesto, objetivamente honesto, deixa de ser o objeto da arte, essa arte não é mais verdadeira arte, mas um instrumento do demônio para perder as almas.

RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES

QUANTO À PRIMEIRA OBJEÇÃO, podemos conceder que o rock possa ser um gênero de Música, mas é um gênero corrompido, defeituoso por rejeitar o bem honesto como fim invertendo os elementos da própria música implicando uma rebelião artística que não pode ter sido inspirada por Deus.

QUANTO À SEGUNDA, essas raríssimas exceções não excluem a regra. O fato de uma mentira poder trazer acidentalmente um bem não torna a mentira lícita. Mutatis mutandis, o rock não se tornará bom por causa de uma ou outra composição inocente que geralmente se encontra num mar de imundícies. Inclusive, essas raras composições encontram-se em meio a outras composições ruins e desordenadas. Será que vale a pena caçar uma pérola que se encontra numa latrina?

QUANTO À TERCEIRA, esses roqueiros que se declaram católicos ou o são no modernismo ou o são simplesmente falsos católicos simpliciter, como é o caso do Tom Araya, ex-vocalista e baixista da banda de thrash metal Slayer, cujas composições, como “God hates us all”, são blasfemas. Ainda que possa haver composições piedosas como “Miracle of Rosary”, que é cantada para fins meramente comerciais por Elvis Presley, pois ele era protestante, e ainda haja o dito “rock cristão”, cito aqui o que diz o Pe. Bernard Labouche, no seu “Breve estudo comparativo entre a música clássica e a música rock”: “Basta um pouco de senso comum para compreender que o cristianismo e o rock são incompatíveis: o cristianismo é a religião da ordem, porque trabalha com a finalidade de restaurar todas as coisas em Nosso Senhor Jesus Cristo. O rock é uma música desordenada, pois a hierarquia dos elementos musicais (melodia – harmonia – ritmo) está invertida. É a revolução na música e a música da revolução. Um ‘rock cristão’ é algo tão contraditório quanto um ‘sofisma arrazoado’”. Creio que isso basta.

QUANTO À QUARTA, raciocínio inválido pelo seguinte, a diferença entre os gêneros é tão gritante que se percebe bem a distinção de fins. Que a música erudita ossa ser usada para o mal, isso é análogo a alguém que usa um bem (como uma faca) para o mal (matar alguém). O rock já é em si algo cujo fim é mal (projetar uma agenda revolucionária). Quem julga que o problema está em compõe as letras, não entende que o problema não é apenas esse, mas na própria estrutura do rock. Assim sendo, o rock deve ser totalmente evitado pelo fiel católico.

Um comentário em “QUESTÃO DISPUTADA: O ROCK É DIABÓLICO?

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  1. Sobre Hey Jude do The Beathes.
    Parece uma Musica Bunitinha mas se o Judas é o Iscariotes muda completamente o sentido da música.
    Lembrando que “Jude” é Judas no Idioma Inglês.
    E Judas é notoriamente um dos demônios mais difíceis de exorcizar.
    Não tem nada dos The Beathes que não seja suspeito.

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