UM MILAGRE DE PARTILHAR, NÃO DE MULTIPLICAR: FRANCISCO E A MULTIPLICAÇÃO DE PÃES E PEIXES, 2022 | por MARIO DERKSEN

Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes… Mas o que é isto
para tanta gente?
(São João VI, 9).

Em 30 de maio de 2022, o jesuíta mais falador do mundo, o “Papa” Francisco, fez um discurso aos participantes do Capítulo Geral dos Pobres Servos da Divina Providência, realizado no Vaticano.

O homem mais adequadamente conhecido como Jorge Bergoglio não deixou de incluir alguma terminologia extravagante do Novus Ordo em seu discurso. Por exemplo, ele falou sobre profecia da comunhão, fidelidade criativa, cultura da
providência, nostalgia estéril, e sonho de Deus. Uma alusão também foi feita à face paternal e maternal de Deus. Algumas pessoas ficaram impressionadas, não há dúvida.

Menos que impressionante, no entanto, foi a atrevida alusão que o falso Papa fez ao milagre da multiplicação dos pães feita por Nosso Senhor Jesus Cristo nos Evangelhos (São Mateus XIV, 14-21; São Marcos VI, 34-45; São Lucas IX, 12-17; São João VI, 5-16). Não que ele o tenha negado abertamente; em vez disso, ele o rebaixou à condição de um milagre de partilha, que serviu muito melhor para a sua narrativa.

Vejamos o parágrafo completo para contextualizar:

Eu gostaria de enfatizar novamente o aspecto da partilha, porque isto me parece ser uma parte essencial da profecia da comunhão com base na qual desejam caminhar unidos. Faço isso recordando o exemplo dado a nós por nossos anciãos, nossos avós. Para eles, era normal, quando um hóspede chegava inesperadamente à casa, ou quando um pobre pedia socorro, dividir um prato de sopa, ou polenta. Isso era um meio muito concreto de experimentar a Providência, como partilha. Não devemos idealizar este mundo, nem nos refugiar numa nostalgia estéril, mas devemos recuperar alguns valores: a mentalidade de quem parte o pão enquanto bendiz a Deus Pai, tendo confiança de que esse pão bastará para nós e para o necessitado. Foi como Jesus Cristo nos ensinou no milagre de partilhar, não de multiplicar, os pães e peixes. Hoje nós precisamos de cristãos que servem à Providência praticando a partilha. E fazer isso aberta e sinceramente, não como Ananias e Safira (Atos dos Apóstolos V, 1-11), não, mas abertamente.

Antipapa Francisco, Aos participantes dos Capítulos Gerais dos Pobres Servos e das Pobres Servas da Divina Providência [Don Calabria], 30 de maio de 2022; a partir do italiano. Sublinhado adicionado).

Partilhar é maravilhoso e muito importante. Em algumas situações, pode ser até tão necessário compartilhar algo com outro que a recusa em fazê-lo pode constituir um pecado mortal. Entretanto, o milagre de Nosso Senhor é chamado o milagre da multiplicação dos pães e não o milagre da partilha dos pães, e existe uma boa razão para isso.

Antes de entrar em maiores detalhes sobre isso, repare que Francisco não simplesmente afirma que o milagre envolvia o ato de partilhar, que é como alguém poderia ver o ato de partir e distribuir os pães miraculosos. Entretanto, Francisco fez mais do que simplesmente enfatizar o aspecto de partilha do milagre. Ele nega explicitamente que houve multiplicação: Foi como Jesus Cristo nos ensinou no milagre de partilhar, não de multiplicar, os pães e peixes. (Original italiano: Così ciha insegnato Gesù Cristo nel miracolo della condivisione – e non moltiplicazione – dei pani e dei pesci).

Se consultarmos o Grande Comentário do Pe. Cornélio a Lápide (1567-1637), no relato do milagre no Evangelho segundo São Mateus (XIV, 15-21; XV, 32-39), encontramos ele mencionando a ideia de multiplicação muito consistentemente, e com frequência:

[Capítulo XIV] Versículo 18: Trazei-mos, disse-lhes ele. Para que ele possa multiplicá-los por sua benção.
Versículo 19: Abençoou-os. Ele invocou sobre os pães a graça divina, pela qual eles foram multiplicados e adquiriram força e eficácia para nutrir, fortalecer e animar grandemente uma multidão tão grande, como se eles tivessem sido alimentados por um rico banquete de carne e vinho. Portanto, Cristo, com essa benção dotou esses pães de uma certa virtude, não física, mas moral; ou seja, ele os ordenou e designou para uma miraculosa multiplicação, pela qual ele colocou sua mão, por assim dizer, isto é, seu poder divino sobre os pães, para que eles fossem imediatamente multiplicados. De fato, Ele o fez transformando a atmosfera ao redor, ou algum outro material gradualmente, de modo imperceptível e contínuo, em pães enquanto os pães estavam sendo distribuídos. Pois Deus não cria nada de novo do nada, mas produz e transforma todas as coisas feitas da matéria criada no princípio do mundo. De modo semelhante, ele multiplicou a farinha e o azeite da viúva de Sarepta, por meio de Elias (I Reis XVII, 14), e outra vez por meio de Eliseu (II Reis IV, 5). Que esses pães eram os mais excelentes e dotados de grande poder para alimentar, fortalecer e animar aqueles que os receberam, é claro por isto, que eles eram pães divinos, miraculosamente produzidos.
[Versículo 20] Provavelmente Cristo partiu primeiro os cinco pães com suas próprias mãos, e ao partir multiplicou-os e colocou-os nas cestas para a distribuição. Eles foram posteriormente, por sua ordem, distribuídos pelos Apóstolos aos diferentes grupos, e foram gradualmente mais e mais multiplicados; assim, eles trouxeram de volta a Cristo a mesma quantidade de cestos de fatias quanto haviam recebido dele em cestos de pães a princípio. Assim pensa Maldonado.
[Capítulo XV, versículo 36] Cristo, sendo Deus, podia multiplicar os pães por si mesmo e por sua ordem, mas como homem ele costumeiramente rogava a Deus que suprisse poder para operar o milagre. Assim, parece óbvio que Cristo, depois de dar graças, fez o sinal da cruz sobre os pães e os abençoou, e ao abençoá-los gradual e continuamente os multiplicou entre aqueles que os partiam e distribuíam, como fez no capítulo XIV, versículo 19.
(The Great Commentary of Cornelius à Lapide: The Holy Gospel according to Saint Matthew, Vol. II, trans. by Thomas W. Mossman, rev. and compl. by Michael J. Miller [Fitzwilliam, NH: Loreto Publications, 2008];) – Tradução nossa

O comentário é claro e fala por si mesmo. Não existe, portanto, justificativa para negar o milagre da multiplicação dos pães com base na partilha ou distribuição de alimento.


Desde o início de seu falso pontificado, Francisco teve problemas com a multiplicação dos pães e dos peixes por Nosso Senhor. Vejamos somente dois exemplos.

Em 2 de junho de 2013, durante seu discurso semanal do Angelus, Francisco afirmou: “Eis o milagre: mais do que uma multiplicação, trata-se de uma partilha, animada pela fé e pela oração. Todos comeram e sobejou: é o sinal de Jesus, pão de Deus para a humanidade”.

Em uma mensagem de vídeo para o Caritas Internationalis de 9 de dezembro de 2013, Bergoglio falou da “parábola [!] da multiplicação dos pães e dos peixes”, que supostamente nos ensina precisamente isto: que se houver vontade, o que temos não acaba nunca. Pelo contrário, é abundante e não é desperdiçado. Definitivamente, não é isso de que se trata a multiplicação dos pães feita por Cristo, que foi um evento histórico real e genuinamente milagroso, não uma parábola que Cristo contou.

O defensor profissional de Francisco, Jimmy Akin, apologista estrela do Catholic Answers, rapidamente fez a defesa de Bergoglio; entretanto, refutamos completamente as suas tentativas de desculpar o indesculpável.

Akin to the Rescue: Francis on Christ’s Miracle of the Loaves & Fishes (9 de janeiro de 2014)

Durante seu retiro quaresmal de 2016, Francisco escutou sem objeção como “Pe”. Ermes Ronchi, OSM, usou o relato da multiplicação dos pães para falar sobre a partilha enquanto lançava algumas zombarias veladas à Sagrada Eucaristia. Por exemplo, ele proclamou: “Há pão em abundância. Não precisamos multiplicá-lo, precisamos apenas distribuí-lo, começando por nós mesmos. Não precisamos de multiplicações milagrosas; precisamos vencer o Golias do egoísmo, do desperdício de alimentos e da acumulação de poucos”. Escusado será dizer que limpamos o chão com aquele modernista:

Sharing the Loaves: Modernist Drivel at “Papal” Retreat (10 de março de 2016)

A última coisa que deve ser apontada sobre o discurso de Bergoglio de 30 de maio de 2022 negando a multiplicação dos pães é que, mesmo que houvesse alguma interpretação ortodoxa complexa de suas palavras, não foi isso que foi comunicado, pois o falso papa não explicou suas palavras em tudo. Conseqüentemente, as inúmeras pessoas que leram ou ouviram seus comentários agora aprenderam que o “papa” ensina que não houve multiplicação milagrosa de pães, mas apenas uma partilha. Isso, é claro, é exatamente o que Francisco pretendia realizar. Qualquer negação plausível – não que haja espaço para alguma aqui – é sempre apenas para os apologistas infelizes que ainda o defendem.

Claramente, uma partilha calorosa e sentimental se encaixa muito melhor na narrativa de Francisco do que uma multiplicação fria e desapaixonada de pães e peixes que foram distribuídos. Qual narrativa? Fazer do catolicismo, em última análise, um serviço de obras corporais de misericórdia, uma ideia totalmente compatível com a ideia de qualquer e nenhuma religião, com a agenda de fraternidade humana, e com seu insuportável naturalismo.

A salvação das almas, entretanto, é per se uma questão sobrenatural. Requer a perseverança final na graça santificante, e tal graça não pode ser obtida sem fé em Jesus Cristo (São Marcos XVI, 16; Efésios II, 8-9; Hebreus XI, 6), cuja divindade é provada pelo verdadeiro milagre da multiplicação dos pães.

Você vê o que Francisco fez lá?

Tradução por Marcos Peinado

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