O CASO PAULO KOGOS

Recentemente, o canal Controvérsia Católica publicou um recorte de uma entrevista com Paulo Kogos dada ao programa de um apresentador autodenominado Monark (pseudônimo de Bruno Ayub) intitulado “Paulo Kogos fala sobre sua conversão ao sedevacantismo”. A “conversão” de Kogos chamou a atenção de muitos para o assunto sedevacantismo, afinal, o seu canal tem mais de 150 mil inscritos e esse tal Monark tem a sua fama também. Mas será que realmente é bom termos Kogos como um referencial?

Nesse texto, o meu objetivo é triplo: (1) provar que Kogos não é recém-convertido, (2) que defende uma ideologia incompatível com a Doutrina Católica e (3) a sua imagem deve estar totalmente desvinculada do sedevacantismo ou mesmo do catolicismo como um todo. O primeiro serve para os que defendem uma tolerância à presença dele dentro do movimento pró-sedevacantismo por ser “recém-convertido”, o segundo para quem não vê incompatibilidade de sua ideologia com o catolicismo e por isso deve ser admitido e o terceiro demonstrar por que não devemos admiti-lo enquanto não houver uma retratação e abjuração total de sua heresia.

KOGOS NÃO É RECÉM-CONVERTIDO

Primeiro, quero deixar claro o seguinte: eu reconheço que o modernismo, a religião humanista conciliar, distingue-se essencialmente da autêntica Religião Católica. A religião inventada pelos modernistas e imposta por Ângelo Roncalli e Giovanni Battista Montini possui doutrina, moral, disciplina, sacramentos e rito diferentes da Religião Católica. É algo novo, que todo católico deve rejeitar e sei que Kogos saiu há pouco tempo dessa religião falsa inaugurada pelo Concílio Vaticano II. Mas isso faz dele um recém-convertido? A resposta talvez o leitor possa alcançar com grave reflexão de como era antes de sua conversão. Especialmente se já foi de uma religião que nem se passa por católica.

Aqui usarei da minha experiência, que talvez coincida com de muitos: eu era ateu e depois deixei de ser ateu para ser modernista, depois da posição dita R&R e, por fim, sedevacantista. Talvez alguém tenha passado por algo semelhante, mas vamos supor que ao invés de ser ateu, tenha sido protestante. Há uma diferença essencial quando sai do protestantismo para entrar no modernismo? Objetivamente falando parece que não, pois para o modernista o protestantismo sequer é heresia ou mesmo cisma. Basta ver que o próprio Bergoglio é um protestante na prática. Se o chefe da religião modernista é um protestante, talvez não faça sentido fazer essa diferenciação objetiva aqui. Porém, há um fator a ser considerado que no caso da análise do Kogos pesará mais: o aspecto subjetivo.

Olhando de fora, realmente a diferença na transição do protestantismo para o modernismo não parece fazer diferença, principalmente se a pessoa se tornar uma carismática. Todavia, na ordem subjetiva, se essa conversão for de boa fé, veremos a transição de alguém que não tinha a intenção de ser católico para alguém que agora tem a intenção de ser católico. Essa diferença é radical, pois há uma real mudança de mentalidade, pois ainda que seja no modernismo, a pessoa vai querer saber como ser uma católica mesmo que dentro do contexto modernista. Essa diferença de mentalidade não é tão radical se considerarmos a mudança do modernismo para o tradicionalismo, pois aqui há sim uma mudança de religião objetivamente falando, todavia, em ordem subjetiva há apenas uma mudança de posição, porque, com efeito, a pessoa que estava no modernismo cria estar no catolicismo querendo ser católica e simplesmente mudou de posição para buscar maior coerência com a Doutrina.

Logo, durante esses anos Paulo Kogos teria guardado sim a intenção de ser católico antes de assumir a posição correta e tinha a obrigação moral de aceitar todas as correções que ele mesmo recebeu enquanto estava nessa posição, como vemos, por exemplo, nesse vídeo do TradTalk. Kogos não pode ser considerado um recém-convertido no sentido estrito do termo e nem tratado como tal.

KOGOS DEFENDE UMA IDEOLOGIA INCOMPATÍVEL COM A DOUTRINA CATÓLICA

Para provar isso, basta o meu artigo “OS ERROS DE HANS-HERMANN HOPPE E A HERESIA ANARCOCAPITALISTA”. A Igreja, no seu Magistério, sempre condenou toda forma de anarquia tal como também toda forma de liberalismo. Muitos tentam distinguir o “liberalismo moral” do “liberalismo econômico”, o que é ridículo, visto que o segundo é consequência do primeiro visto que os atos morais e atividades econômicas são inseparáveis em si pois ambos decorrem do agir humano. Kogos tenta ainda tergiversar em diversos lugares alegando que defende a “teoarquia” e não o anarcocapitalismo propriamente dito. Esse erro é descrito pelo teólogo jesuíta Francisco Suarez ao refutar o Rei Henrique VIII na época. Escreve Suarez:

Aqui podemos citar o antigo erro de alguns judeus que diziam que apenas Deus deveria ser reconhecido como príncipe e senhor, pois pareciam rechaçar todo e qualquer principado humano, e, por isso, recusar também qualquer reino político como algo contrário à liberdade humana (FRANCISCO SUAREZ, S.J.; Defensio Fidei Catholicae et Apostolicae adversus Anglicanae Sectae errores, III, lib. I, cap. I, 1).

Kogos defende uma versão mitigada desse erro pois admite uma monarquia (ainda que, se bem entendi, nos moldes românticos de Hans-Hermann Hoppe) sob o pretexto de que isso não seria uma forma de anarquia para assim driblar as condenações de papas e reprovações de teólogos. Bem, não sou tão imaturo a ponto de não perceber o jogo. Uma sociedade nos moldes em que Kogos defende não há um soberano absoluto (Cf: Leão XIII; Carta Encíclica Immortale Dei) e é evidente que o que imperaria numa sociedade assim não seria a ordem, mas sim a permissividade. Basta ver o que o próprio Kogos defende quando se trata de liberação de drogas e outras coisas. A sua reprovação do aborto não me parece mais que um disfarce para essa péssima (e herética) ideologia.

Convém ainda lembrar que o católico é antes de tudo realista e lida com a realidade tal como ela é e está. É avesso a utopias (antes que perguntem, São Tomás More se santificou pela sua piedade e pelo seu martírio e não pelo seu livro Utopia). Assim, o católico deve lidar com a satânica democracia liberal vigente como pode. Mas mesmo num cenário podre assim, vemos que foi possível eleger um Gabriel García Moreno no Equador. O que precisamos é antes nos santificarmos e ajudar os outros a se santificar e aguardar os frutos disso. Ficar imaginando uma sociedade ideal e teorizá-la é para utópicos.

A IMAGEM DE KOGOS DEVE SER TOTALMENTE DESVINCULADA DO SEDEVACANTISMO

Assim, urge a necessidade de desvincular a sua imagem do sedevacantismo enquanto o mesmo não abjurar publicamente de sua ideologia utópica, herética e ímpia e jurar sinceramente diante de Deus que terá a mais radical e integral adesão à Doutrina Social da Igreja tal como ensinada até o pontificado do último papa, que foi Pio XII. Se o Sr. Kogos, a quem conheci pessoalmente em 2015, fizer isso, reconheço que trará muitos frutos à causa católica, dado o seu carisma e sua popularidade. No entanto, enquanto isso não acontece, temos a moral obrigação de rechaçar a sua imagem para não macular a pura Doutrina com o veneno liberal de sua ideologia.

Assim, fica o convite para o Sr. Paulo Kogos rever a sua posição diante da Doutrina Social da Igreja ou ao menos dar esclarecimentos definitivos da sua posição.

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