SE O CONCÍLIO VATICANO II FOI AUTÊNTICO CONCÍLIO DA IGREJA, É OBRIGATÓRIO E INFALÍVEL

Disso deduz-se da unanimidade dos teólogos autorizados, dos ensinamentos dos santos doutores e pela própria realidade de um concílio ecumênico aprovado pelo Romano Pontífice com bispos em comunhão com ele, que jamais pode conter erros como ensina, por exemplo, São Roberto Belarmino (De Ecclesiae, lib. II, cap. II). Como lemos abaixo:

É o que ensina a unanimidade dos teólogos autorizados. O Pe. Sisto Cartechini, S.J., ensina o seguinte:

Esta declaração da Igreja depositária da fé pode ser feita de duas maneiras diferentes, pois há dois órgãos do magistério eclesiástico em que a Igreja, com a garantia da infalibilidade, exerce toda a sua suprema autoridade doutrinal.  Ou o dogma é proposta com uma declaração solene, seja pelo pontífice romano quando fala ex cathedra, isto é, para toda a Igreja como pastor supremo e mestre universal em matéria de fé e moral, ou por um concílio ecumênico;  ou o dogma é ensinada pelo magistério ordinário e universal de todos os bispos unidos ao papa, que, embora dispersos, ensinam com unanimidade moral e consciente uma doutrina como revelada e, portanto, de fé católica (Dall’Opinione al Domma, La Civiltà Cattolica, Roma, 1953, p. 11).

Primeiramente, vejamos o que ensina Sua Santidade Leão XIII, santo padre de felicíssima memória:

Todas as vezes, pois, que a palavra desse magistério declara que essa ou aquela verdade faz parte do conjunto da doutrina divinamente revelada, deve cada um crer com certeza que isso é verdade; porque, se de algum modo isso pudesse ser falso, daí se seguiria, o que evidentemente é absurdo, que o próprio Deus seria o autor do erro dos homens (Carta Encíclica Satis Cognitum, n. 20, 29 de junho de 1896).

Veja o leitor o seguinte: “cada um deve crer com certeza que isso é verdade” significa exatamente que o que foi ensinado é infalível. Para sabermos se tal documento faz parte do Magistério Autêntico e infalível da Santa Igreja, basta dizer que a matéria ensinada está no corpo de verdade revelada. O que me parece um tanto óbvio. Todavia, isso vemos nos documentos do Concílio Vaticano II? A resposta é sim. Basta um único exemplo:

Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa. Esta liberdade consiste no seguinte: todos os homens devem estar livres de coacção, quer por parte dos indivíduos, quer dos grupos sociais ou qualquer autoridade humana; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência, nem impedido de proceder segundo a mesma, em privado e em público, só ou associado com outros, dentro dos devidos limites. Declara, além disso, que o direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a palavra revelada de Deus e a própria razão a dão a conhecer. Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa na ordem jurídica da sociedade deve ser de tal modo reconhecido que se torne um direito civil (PAULO VI; Concílio Vaticano II, Declaração Dignitatis Humanae, n. 2, 7 de dezembro de 1965).

Leiamos atentamente: “… o direito à liberdade religiosa se funda realmente na própria dignidade da pessoa humana, como a palavra revelada de Deus e a própria razão a dão a conhecer”. Isto é, a matéria do documento é a liberdade religiosa, que já foi condenado em diversos documentos, como Quanta Cura, Syllabus, Libertas etc, segundo o nefasto documento é de revelação divina! Aqui já diz que é um direito da pessoa humana e que se funda na sua própria dignidade e na palavra revelada de Deus (convido o leitor a ler meus artigos sobre o tema AQUI e AQUI). Devemos nos atentar a isso e novamente no que ensina a Satis Cognitum de Leão XIII. Ora, isso já é prova que a Dignitatis Humanae é infalível. Se isso ainda não for suficiente, há decretos do próprio Paulo VI que indicam não apenas a infalibilidade como a obrigatoriedade do Concílio. Na página 744, no volume LVIII da Acta Apostolicae Sedis, de 1966, Paulo VI escreve o seguinte:

Todo o texto e todos os elementos individuais que foram expostos nesta Declaração agradaram aos Padres. E pelo poder apostólico que nos foi conferido por Cristo, nós, juntamente com os Veneráveis Padres, no Espírito Santo, aprovamos, decretamos e promulgamos; e ordenamos que o que foi assim decretado no Concílio seja promulgado, para a glória de Deus.

Roma, em São Pedro, 28 de outubro de 1965.

Eu, PAULO, Bispo da Igreja Católica.

Alguém poderia objetar que Paulo VI assinou somente como bispo. Mas sempre foi costume dos papas assinarem assim. Se alguém quiser um exemplo, veja como Pio IV assinou o documento abaixo:

Pio IV foi mais modesto. Mas se ainda isso não for suficiente, vejamos esta notificação feita na Constituição Dogmática Lumen Gentium:

Tendo em conta a praxe conciliar e o fim pastoral do presente Concilio, este sagrado Concilio só define aquelas coisas relativas à fé e aos costumes que abertamente declarar como de fé.

Tudo o mais que o sagrado Concílio propõe, como doutrina do supremo Magistério da Igreja, devem-no os fiéis receber e abraçar segundo a mente do mesmo sagrado Concílio, a qual se deduz quer do assunto em questão, quer do modo de dizer, segundo as normas da interpretação teológica.

Ou seja, a Constituição Dogmática Lumen Gentium se pretendeu ser infalível também. E caso seja realmente um concílio ecumênico aprovado por verdadeiro Romano Pontífice, não haveria por que duvidar. Todavia, muitos dos ditos tradicionalistas, numa desesperada tentativa de dar uma explicação indevida para toda sorte de erros emanados desse falso magistério, reduzem ao máximo a infalibilidade tanto do papa como dos concílios ecumênicos. Alguns até dizem que seriam necessárias sentenças de anátemas para tal, o que é absolutamente ridículo, razão por que a esmagadora maioria dos documentos magisteriais não possuem essas sentenças e dizer tal coisa seria o mesmo que dizer que em todos esses documentos pode haver erros e deveríamos evitar enquanto não houver nenhuma garantia de que realmente é infalível. Ou ainda pior: tal afirmação coloca o papa num papel em que ele seria mais um obstáculo para a salvação do o guia seguro da vida do homem, como nos ensina Leão XIII.

Ademais, se quisermos ser realmente tradicionalistas, se quisermos ser uma autêntica resistência ao modernismo, devemos rejeitar absolutamente não apenas o Concílio Vaticano II, com todos os seus frutos podres, como também a autoridade dos falsos papas que convocaram e aprovaram e da falsa hierarquia que surgiu depois com ele.

5 comentários em “SE O CONCÍLIO VATICANO II FOI AUTÊNTICO CONCÍLIO DA IGREJA, É OBRIGATÓRIO E INFALÍVEL

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  1. Sedevacante: Bergolio herege
    ReR: Você não é o Papa para julgar.
    Bergolio: Quem não segue CVII está fora da Igreja.
    ReR: Ele não falou em ex Cathedra.

    Luciano, você precisa dar umas aulas de lógica para esse pessoal.
    Uma dúvida, o que é a visão beatífica, eu não entendi como se relaciona com a ressurreição.

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    1. Caríssimo, a visão beatífica consiste na visão de Deus em que o bem-aventurado conhece a Deus como Ele se conhece e assim o amaremos de forma tão perfeita que a nossa vontade estará consolidada no bem.

      Desde a Idade Média é dogma de fé que as almas bem-aventuradas verão a Deus imediatamente após a morte se morrerem santamente ou após sair do purgatório. Alguns, antes da definição, criam que isso aconteceria após o Juízo Final, como era o caso de São Bernardo de Claraval e o Papa João XXII, de felicíssima memória, como disse num sermão. Mas na época não era definido e voltou atrás na sua opinião e o seu sucessor, dando continuidade aos trabalhos iniciados pelo próprio João XXII, definiu solenemente que a visão beatífica das almas bem-aventuradas se dá antes do Juízo Final logo após a morte ou a saída do purgatório.

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